Subsecretários da Seap são investigados por furar a fila da vacinação contra a Covid-19

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RIO — Pelo menos 17 servidores do alto escalão da Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) estão na mira da corregedoria da pasta por suspeita de terem furado a fila da vacinação contra a Covid-19. Entre os alvos da investigação está o subsecretário da Subsecretaria Geral, Gilberto Monteiro Mainoth e o, até ontem, subsecretário de Gestão Operacional, João Carlos Olímpio. A Subsecretaria Geral só está abaixo do secretário da pasta, o advogado Raphael Montenegro Hirschfeld. De acordo com a apuração inicial da Seap, todos os vacinados irregularmente teriam recebido as duas doses: a primeira no dia 7/5 e a segunda dose no dia 28/5. A imunização teria acontecido na sede da pasta, na Central do Brasil.

No dia 30 de março, o governo do estado permitiu que a Seap vacinasse seus funcionários contra o SARS-Cov-2. No entanto, existe uma regra para quem pode receber o imunizante. Pela regulamentação, subsecretários e o secretário de Administração Penitenciária só seriam vacinados no último grupo.

No dia 12 de abril, Montenegro Hirschfeld estabeleceu a seguinte ordem de prioridade:

Grupo 1: policiais penais lotados nas unidades prisionais, portaria unificada e grupamento de serviço de escolta (GSE);

Grupo 2: policiais penais lotados no setor administrativo das unidades prisionais, diretores e subdiretores;

Grupo 3: policiais penais lotados na Superintendência de Segurança, Coordenação de Área e Grupamentos Operacionais (GIT e GOC) e Centro de Instrução Especializada;

Grupo 4: policiais penais lotados nos setores administrativos das subsecretarias e na Escola de Gestão Penitenciária;

Grupo 5: subsecretários e secretário de Administração Penitenciária, além dos seus assessores.

Respeitando essa divisão, a vacinação dos trabalhadores da Seap deveria acontecer de acordo com as doses disponibilizadas pela Secretaria estadual de Saúde (SES). No entanto, esses servidores teriam desrespeitado as datas e recebido o imunizante antes da vez.

Entre os vacinados, está, também, o inspetor penitenciário Luciano de Lima Fagundes Pinheiro, o Bonitão, de 43 anos, que desde janeiro está lotado no gabinete do subsecretário da Subsecretaria Geral como assessor. Ele só deveria ser imunizado quando chegasse a vez do grupo 5. O inspetor é condenado a mais de cinco anos de prisão por ligação com o tráfico de drogas e porte ilegal de armas.

Atualmente, a Seap está oferecendo a primeira dose da vacina contra a Covid-19 aos profissionais enquadrados no grupo 2.

O GLOBO tenta contato com a Seap.

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