Substituto de Ernesto é diplomata de pouca expressão no Itamaraty

RICARDO DELLA COLETTA, JULIA CHAIB, GUSTAVO URIBE E DANIEL CARVALHO
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BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O embaixador Carlos Alberto Franco França foi confirmado nesta segunda-feira (29) para substituir Ernesto Araújo no Itamaraty. França, 56, ganhou a confiança de Bolsonaro no período em que chefiou o cerimonial do Palácio do Planalto. Tanto que, posteriormente, ele foi nomeado para chefiar a assessoria especial da Presidência. Graduado em direito, ele entrou no serviço diplomático em 1991. França é um diplomata discreto, pouco afeito a holofotes e tem uma carreira ligada ao cerimonial do Itamaraty. A área do cerimonial é estratégica na diplomacia, uma vez que organiza os diversos eventos da chancelaria e tem contato próximo com o ministro de Estado ou, no caso do Planalto, com o presidente. Assim como Ernesto quando foi indicado para o Itamaraty, França só foi promovido recentemente a embaixador e nunca chefiou um posto no exterior. Fora do Brasil, ele ocupou postos nas embaixadas do Brasil na Bolívia (em duas ocasiões), no Paraguai e nos Estados Unidos. As relações Brasil-Bolívia foram inclusive tema de sua tese do Curso de Altos Estudos, um trabalho acadêmico que diplomatas precisam fazer antes da promoção para ministro de segunda classe. França elaborou a tese "Os empreendimentos hidroelétricos do rio Madeira e as relações Brasil-Bolívia: análise das perspectivas de integração energética bilateral". Colegas descrevem França como um profissional tranquilo e ponderado, mas destacam que ele tem perfil discreto, teve uma carreira de pouca expressão na instituição e não é conhecido como um formulador de política externa. Com a confirmação da escolha, ele desbancou concorrentes de peso e com trajetória mais extensa no Itamaraty. Um dos nomes mais citados, o embaixador do Brasil em Paris, Luís Fernando Serra, atingiu o topo da carreira em 2005 e está em sua quinta missão como chefe de posto. A embaixadora Maria Nazareth Farani de Azevêdo, atual cônsul-geral em Nova York, foi por sua vez embaixadora do Brasil na ONU, em Genebra. Ela passou a ser lembrada como possível chanceler desde que bateu boca com o ex-deputado Jean Wyllys, do PSOL, na ONU. Mas, internamente, foi ataca por bolsonaristas por ter sido chefe de gabinete do ex-chanceler Celso Amorim (PT).