Sucesso como Thor, Chris Hemsworth fala sobre preocupação com Amazônia e vontade de surfar no Brasil

Talita Duvanel
Chris Hemsworth e Elsa Pataky

Chris Hemsworth encarou um voo de cerca de vinte horas entre Byron Bay, cidade hippie-chique onde mora na Austrália, para uma bateria de entrevistas em Nova York, na semana passada. Cobiçado garoto-propaganda por causa de seu sucesso como o super-herói Thor, da Marvel, o ator de 36 anos cruzou o globo para o lançamento do perfume Boss Bottled Infinite, de Hugo Boss. Ele prefere a “função” de passar quase um dia no avião do que economizar tempo vivendo perto da badalação do show business na Califórnia. “Morei nos Estados Unidos por dez anos, mas minha mulher e eu temos três crianças e não queríamos que eles morassem em Hollywood. O plano era que eles tivessem uma vida ao ar livre”, diz Chris, por telefone, sobre a escolha pela sua terra natal.

O espírito desapegado está em sintonia com o da atriz espanhola Elsa Pataky, com quem é casado desde 2010. Da relação, nasceram India Rose, de 7 anos, e os gêmeos Tristan e Sasha, de 5. Já a fama é coisa de família: o irmão caçula de Chris, Liam, fez sucesso na franquia “Jogos vorazes”, e Luke, o mais velho, é uma das estrelas da série “Westworld”. “Passamos tanto tempo no trabalho conversando sobre isso que, quando nos encontramos, tendemos a falar sobre outras coisas. Mas, sim, eu recebo feedback deles e é o mais honesto que pode existir, já que vem de irmãos”, disse Chris, certa vez, a uma revista americana — em nosso papo, perguntas sobre a família famosa não foram permitidas pelos assessores.

A primeira vez que Chris Hemsworth viveu Thor foi em 2011, apesar de sua carreira ter começado para valer numa série australiana chamada “Home and away”, em 2004. De lá para cá, ele repetiu o super-herói da Marvel por, pelo menos, seis vezes e já está confirmado para “Thor: love and thunder”, anunciado para o fim de 2021. Cansado da reincidência? Nem um pouco. “Amo os filmes de ação e de super-herói que faço. Mas gosto dos outros gêneros também”, diz ele, antes de soltar um riso. “Assisto muito de tudo.”

Apesar do gosto, as maiores aparições de Chris são mesmo em filmes de ação com, vá lá, uma pitadinha de drama (um de seus papéis mais dramáticos foi em “Rush: no limite da emoção”, em que viveu o piloto de Fórmula 1 James Hunt). “Todo papel é desafiador: a preparação, a filmagem, os eventos de divulgação... Coloco o meu coração e a minha alma e faço o melhor que posso, tentando não me contaminar pelo que dizem do lado de fora”, diz.

O que costumam dizer nos bastidores sempre passa pelo sex appeal do rapaz, que, não à toa, já ganhou o título de homem mais sexy do mundo em 2014, na famosa eleição da revista “People”. “Estar confortável na minha própria pele faz com que eu me sinta sexy. Gosto do processo de me cuidar, me aprontar para um tapete vermelho, mas sou um cara relaxado. Amo estar com os pés na areia”, conta ele, que, segundo a imprensa americana, tem só 8% de gordura corporal em seus 88 quilos, distribuídos por 1,93m.

Apesar de esses números serem resultado de tanto “puxar ferro” (ele, inclusive, tem um programa de malhação que pode ser comprado on-line), é nas praias australianas que o ator gosta mesmo de colocar os músculos para jogo. O surfe é sua grande paixão e algo que o conecta com o Brasil. “Nunca estive no seu país, mas minha esposa já”, diz ele sobre Elsa, que veio ao Rio promover “Velozes e furiosos” em 2011. “Vocês têm alguns dos melhores surfistas do mundo, estão mandando nos campeonatos. Acompanho muito o Gabriel Medina, o Ítalo Ferreira e o Filipe Toledo. Adoraria encontrá-los no Brasil para surfarmos juntos.”

O país anda no radar do ator também por um motivo que não nos dá muito orgulho: as queimadas na Amazônia, manchetes em jornais do mundo inteiro. “A luta contra o aquecimento global é uma das causas que me move. É uma conversa importante que as novas gerações estão tendo. Isso é bem urgente, tem a ver com o futuro dos nossos filhos. Acompanhei essa tragédia (os incêndios). É muito triste, pois a Amazônia é o pulmão do nosso planeta.”