Sucesso da Legião Urbana, 'Eduardo e Mônica' vira paródia sobre vacinação

Isabella Cardoso
·4 minuto de leitura

Após "Bum bum tam tam" virar o hino da vacina, uma outra música também entrou para o repertório de canções a favor da vacinação. "Eduardo e Mônica”, sucesso atemporal da banda Legião Urbana, ganhou uma paródia feita pelo redator e roteirista Rob Gordon, de 45 anos, em que Eduardo é o ministro Eduardo Pazuello, e Mônica é Mônica Calazans, a primeira vacinada do Brasil com a CoronaVac. No Twitter, ele reescreveu a canção inteira contextualizando com o atual momento do país.

— Quando me caiu a ficha que o ministro e a enfermeira se chamam Eduardo e Monica, a ideia de escrever a música foi imediata. Demorei uns 40 minutos pra fazer a paródia. Copiei a letra no Word e fui fazendo as alterações, deixando os versos mais difíceis pro final — conta Gordon.

A paródia de Gordon já está com mais de 5 mil curtidas na plataforma. Há dez anos no Twitter, Gordon conta que já teve alguns tuítes que viralizaram antes.

— De vez em quando você acerta, e os tuítes vão longe (risos) — diz o redator, que afirma que teve mais apoio do que hate com o tuíte: — Ontem, por incrível que pareça, ninguém veio me atacar. Acho que com as pessoas sendo vacinadas na TV esse pessoal não tinha nem "clima" pra isso".

Mas será que vamos ver Gordon cantar a canção que reescreveu?

— Não canto nada (risos). Sou só redator mesmo.

Confira a letra completa da paródia:

""Quem um dia irá dizer que não existe razão

Numa campanha de vacinação

E quem me irá dizer que não existe razão

Eduardo tinha febre mas não quis se vacinar

Tinha medo de virar um jacaré

Enquanto a Mônica no hospital

No outro canto da cidade

Estava pronta pro que der e vier

Eduardo e Mônica um dia se encontraram sem querer

E conversaram muito mesmo pra tentar se conhecer

Foi um carinha do ministério do Eduardo que disse

Que tem uma festa no hospital e a gente quer se divertir

Festa estranha, gente de medicina

Eu não tô legal, me dá uma cloroquina

A Mônica riu e quis saber um pouco mais

Sobre o generalzinho que tentava impressionar

E o Eduardo só pensava em ir pra casa

Se o Jair me ver aqui eu vou me ferrar

Eduardo e Mônica trocaram WhatsApp

Depois se falaram sobre vacinar

O Eduardo sugeriu falar com o presidente

Mas a Mônica queria ver a vacina funcionar

Se encontraram então no Hospital das Clínicas

A Mônica de metrô e o Eduardo de carrão

O Eduardo achou estranho e melhor não comentar

Mas a menina tinha carteira de vacinação

Eduardo e Mônica era nada parecido

Ela era enfermeira e ele odiava o petê

Ela trabalhava e salvava vidas

E ele enrolando pra montar um ppt

Ela gostava de vacina e medicina

De descobertas e Pasteur

De Biologia e do Cousteau

E o Eduardo lia fake news

E não usava máscara perto do avô

Ela falava coisas sobre Oswaldo Cruz

Também cirurgia e operação

E o Eduardo ainda tava no esquema

Planalto, quartel, twitter, corporação

Mas tudo ficou diferente

Quando meio de repente

Uma pandemia de morrer

E o país queria tratamento

E a vontade de vacina crescia

Como tinha de ser

Eduardo e Mônica reagiram diferente

A Mônica no hospital se pôs a trabalhar

E o Eduardo conversando com o Jair

Será que a cloroquina pode nos salvar?

Eduardo disse que “um manda e outro obedece”

E decidiu trabalhar

E a Mônica se vacinou no mesmo mês

Em que o avião pra Índia não conseguiu nem decolar.

E os dois nunca mais foram vistos juntos

E não se vacinaram juntos nem na segunda vez

E todo mundo diz que o Eduardo e o Jair

Deviam mesmo era ir para o xadrez

A pandemia acabou uns dois anos atrás

Que foi quando as queixas-crime vieram

Os brasileiros foram para rua e expulsaram

O regime mais fascista que tiveram

Eduardo e Mônica nunca mais se viram

E eu tenho saudade da Mônica no verão

Já o Eduardo caiu no esquecimento

E só é lembrado como um general

que obedecia um capitão ah-ah-ah

E quem um dia irá dizer que existe razão

Nas coisas feitas para imunização

E quem me irá dizer

Que não existe razão"