Sucesso em reality show de drag queens, Alexia Twister se prepara para celebrar 25 anos de performances

Talita Duvanel
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Alexia Twister nasceu num tempo em que drag queen, no Brasil, era chamada de transformista. Era 1996 quando o amigo e DJ Fernando Milanez inscreveu Matheus Moreira de Miranda num concurso numa boate de São José dos Campos (SP). Na hora de dar o nome da concorrente, por telefone, Fernando olhou para Matheus e disse: “Alexia Twister”. Comemora-se, então, em 2021, os 25 anos de uma das drag queens com carreira mais longeva e estável do Brasil. “O nome do concurso era Novos Lamentos (risos). Fiquei em segundo lugar e não parei mais”, conta Alexia, que começou a dançar aos 8 anos, iniciou no teatro aos 12 e no universo drag aos 17.

A experiência é tanta que a artista foi parar na apresentação do primeiro reality show brasileiro da Netflix, que estreou no mês passado. Em “Nasce uma rainha”, ela e Gloria Groove ajudam as participantes a conseguirem o melhor na arte de montação e da performance. “Se for para bater cabelo, vou bater. Se for para dançar, vou dançar e cantar. Não sou foda, mas uma das minhas mães drag, a Morgana Loren, não deixava a gente ficar presa em caixinha. Se, num fim de semana, fazia um show diva, no outro fazia um cômico.” Por isso, o nome de Alexia caiu tão bem para ajudar principiantes. “Nosso intuito era transformar.”

E acabou sendo empoderador também para ela mesma, ainda que com 25 anos de estrada. “Sempre tive dificuldade em trabalhar com vídeo. Eu sou de teatro”, diz Alexia, frisando a importância de Gloria em ajudá-la nessa adaptação. “Mas me joguei e aprendi muito.”

Ao passar a carreira a limpo e ver as lutas que travou e as oportunidades que surgiram, a paulista lamenta a condição geral de sua arte no país. “É marginalizada. E temos que ser autodidatas. A arte drag envolve perucaria, automaquiagem, costura, até advocacia, para redigir nossos próprios contratos. Por um lado, é bom porque te torna uma artista completa, mas vejo que as pessoas não conseguem chegar aos 25 anos. É cansativo demais e o lucro, pouco”, reflete.

Mas Alexia segue na peleja, sem perder a grandeza dos próximos sonhos. “Quero fazer um grande musical, quero fazer cinema.” A rainha está on.