Sucesso no TikTok, Pequena Lo conta que ser reconhecida pelo trabalho e não pela condição física é gratificante

Luana Santiago
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Embora seja conhecida como Pequena Lo, Lorrane Silva é uma gigante. No pico da pandemia do novo coronavírus, entre abril e maio do ano passado, a mineira de 24 anos viu no TikTok, plataforma de vídeos que se popularizou no mesmo período, a oportunidade de distrair os internautas com vídeos bem-humorados sobre assuntos como família, amigos, infância e relacionamentos em geral.

— Eu comecei como influenciadora em 2015, no YouTube. Sempre fiz humor, mas minha pegada era mais séria. Falava de bullying e preconceito. Em 2016, fui para o Instagram e, no início da pandemia, descobri o TikTok. Antes do “boom” por lá, eu tinha 80 mil seguidores no Instagram, mas depois dos vídeos, que produzo sozinha, tudo ganhou uma proporção enorme na internet — explica ela, que ultrapassa os 3 milhões de seguidores no TikTok e se aproxima da mesma marca no Instagram.

Lo, no entanto, só sentiu o sucesso na pele meses depois. Isso porque, quando começou a viralizar, ela estava em isolamento rígido.

— Senti que havia me tornado uma pessoa conhecida quando fui ao shopping depois de meses em casa. Foi um baque. As pessoas das lojas me reconheciam, mesmo eu usando uma cadeira motorizada. Nos vídeos, sempre estou de muletas (a jovem precisa delas devido a uma displasia óssea que interfere na locomoção), então elas não tinham certeza se era eu. Elas ficavam me analisando — conta.

Também foi um grande choque para Lo ser reconhecida por artistas que, até então, não passavam de ídolos muito distantes.

— Eu fingi costume no dia em que a Tatá Werneck, de quem sou fã, me mandou mensagem. Mas por dentro eu estava surtando (risos). Isso também rolou quando a Giovanna Ewbank me convidou para participar do canal do YouTube dela — admite a jovem, que aos poucos se habitua com seu novo normal: — Só agora estou me acostumando (risos).

Caso raro

Lo não sabe exatamente qual é sua diferença física: “Minha síndrome não foi descoberta, então os médicos a nomeiam como displasia óssea. Mas a síndrome em si não foi desvendada e meu estudo genético chegou a ir para fora do Brasil. Sou rara no mundo”.

Reconhecimento certo

Lo conta que ser reconhecida pelo trabalho e não pela condição física é gratificante: “Antes, as pessoas me identificavam como Lo, a deficiente. Hoje, sou a Lo humorista e influenciadora. Acho que isso quebra um tabu enorme de que as PCDs (pessoas com deficiência) não são capazes de fazer nada”.

Psicóloga

Lorrane se formou em Psicologia e, apesar da carreira na web estar indo de vento em popa, tem vontade de trabalhar na área. “Recebo muitos pedidos dos meus seguidores para fazer consultas on-line, mas não sei se eles saberiam separar a Pequena Lo da Lorrane, a psicóloga’’, opina.

Outros campos

Lo também quer investir na carreira de atriz e apresentadora. “Quando tudo normalizar, quero tocar meu projeto de ter um talk show”, adianta.