Sucesso nos anos 80, Markinhos Moura fala sobre sexualidade: 'Nunca estive no armário'

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"Meu mel não diga adeus, eu tenho tanto medo, de ficar sem o seu amor, e pra sempre ser um ser só...". Quem viveu os anos 80 conhece bem os versos da música "Meu mel", que fez seu intérprete vender mais de 100 mil cópias e peregrinar nos programas de TV da época, do "Cassino do Chacrinha" ao "Xou da Xuxa". O cantor por trás de um dos grandes hits da década é Markinhos Moura, hoje com 53 anos. Sempre se apresentando com um visual ousado, com brincos, roupas extravagantes, pulseiras, e uma voz andrógina, o cantor se considera um pioneiro.

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"Eu usava camisetas decotadas para época. Eu era loiro, eu descoloria o cabelo, e fui um dos primeiros artistas depois do Jô Soares e do Benito di Paula, a usar brinco. Você imagina o quanto isso custou na época... Nunca tive a necessidade de falar disso. Era uma época que você não podia falar isso e eu vivia com um séquito atrás de mim, me policiando. Tinha muita gente que como eu, não podia se mostrar, como hoje, como depois poderia se mostrar. Eu nunca estive no armário, eu sempre estive na frente do armário, abrindo a porta pra quem quisesse entrar ou sair", diz Markinhos ao site "Gay.blog.br".

Sem aposentadoria

Do estouro nacional para cá, ele ainda enfrentou uma síndrome do pânico e diz que não conseguiu fazer um pé de meia:

"Ao contrário do que todo mundo acha, não ganhei muito dinheiro. Ganhei na época o que dava para me sustentar e ajudar a minha mãe, mas não deu tempo de eu comprar imóvel. E outra coisa, não se ganhava muito naquela época. Eu podia ter uma aposentadoria se as pessoas que tivessem comigo, tivesse me orientado desde aquela época a começar a pagar. Eu não tenho aposentadoria. Isso foi um erro muito grande, então eu não ganhei dinheiro que desse pra eu juntar, pra eu ter avião, que as pessoas com um ano de carreira já tem um, não sei quantas casas, vai de férias para Londres, Paris etc. Nós não tínhamos isso, com raras exceções, a maioria não ganhava isso".


Prester a voltar aos palcos com a peça "Angel", que reestreia no próximo dia 26 em São Paulo, após a temporada ter sido interrompida pela pandemia, Markinhos Moura esteve nos últimos anos distante da mídia, mas nunca parou de cantar. Em breve, ele lança um novo álbum, que estará disponível nas plataformas digitiais: "Rezo muito para Deus abrir novos caminhos, novas formas de expressão pra mim. Quero continuar cantando, mas cada vez mais, quero o ator mais em cena, mais presente".