Sudão assina acordo de normalização com Israel; EUA fornece ajuda financeira

Menna ZAKI
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(COMBO)Sudão e Israel concordaram em 23 de outubro para normalizar as relações, em um acordo mediado pelos EUA para encerrar décadas de hostilidade que foi amplamente saudado, mas despertou a raiva palestina. O anúncio torna o Sudão, tecnicamente em guerra com Israel desde sua fundação em 1948, o quinto país árabe a estabelecer relações diplomáticas com o Estado judeu.

O Sudão assinou nesta quarta-feira (6) um acordo para normalizar as relações com Israel e, simultaneamente, obteve ajuda financeira dos EUA após a recente retirada do país africano da lista de estados acusados de financiar o terrorismo.

Durante uma curta visita a Cartum, o Secretário do Tesouro dos EUA, Steven Mnuchin, assinou um acordo que dá ao Sudão acesso a mais de US$1 bilhão (cerca de 810 milhões de euros) por ano para pagar sua dívida com o Banco Mundial.

O Ministro das Finanças do Sudão, Hiba Ahmed e Mnuchin "assinaram um memorando de entendimento em Cartum para fornecer um mecanismo de financiamento (...) com o objetivo de cobrir os atrasados do Sudão com o Banco Mundial."

"Esta iniciativa permitirá que o Sudão tenha novamente acesso a mais de US$ 1 bilhão em financiamento anual do Banco Mundial, pela primeira vez em 27 anos", disse o ministério em um comunicado.

Simultaneamente, Estados Unidos e Sudão assinaram os "Acordos de Abraham", segundo os quais Sudão normaliza suas relações diplomáticas com Israel, informou a embaixada americana em Cartum.

"Parabenizamos o governo de transição liderado por civis pela assinatura da declaração dos Acordos de Abraham, que ajudarão o Sudão a avançar em seu trajeto de transformação para alcançar estabilidade, segurança e oportunidades econômicas", disse a embaixada no Twitter.

"O acordo permite ao Sudão, Israel e outros signatários dos Acordos de Abraham estabelecer as bases da confiança mútua e aumentar a cooperação na região", acrescentou.

O Ministro da Justiça sudanês, Nasr Abdelbari, chamou este acordo de "uma etapa muito importante".

“Isso confirma (...) que a paz fortalece as relações e os interesses entre os povos”, disse ele em um vídeo da agência oficial Suna.

Esses anúncios seguem a retirada do Sudão da lista de países que apoiam o terrorismo, o que levou a décadas de sanções e obstáculos ao investimento internacional.

A ajuda obtida por Cartum abre caminho para investidores no Sudão, que passa por uma transição política e enfrenta uma crise econômica e uma inflação sem precedentes, exacerbada pela pandemia covid-19.

O Sudão tem uma dívida externa de cerca de US$60 bilhões.

Sua retirada da lista fazia parte de um acordo que incluía a normalização das relações entre o país e Israel.

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