Sudão do Sul prende jornalistas após vazamento de vídeo de presidente urinando nas calças

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Seis jornalistas no Sudão do Sul foram presos neste sábado (7), depois que começou a circular nas redes sociais um vídeo que mostra o presidente, Salva Kiir, 71, aparentemente urinando nas calças em um evento oficial. Nele, o dirigente, apoiado em uma bengala, parece estar concentrado no hino nacional que toca enquanto uma mancha escura se espalha por suas calças. É só quando uma poça se forma no chão que ele olha para baixo.

O momento foi flagrado por uma câmera da emissora de TV estatal, mas nunca chegou a ir ao ar. Segundo o líder do sindicato nacional de jornalistas, Patrick Oyet, os jornalistas detidos são acusados de terem conhecimento de como o vídeo foi vazado. O ministro da Informação do país, Michael Makuei, e o porta-voz do serviço de segurança nacional, David Kumuri, não responderam aos pedidos de comentário da Reuters.

Kiir é presidente do país desde que o sul se tornou uma região autônoma em relação ao resto do Sudão, em 2010. A independência ocorreu após um referendo sobre a separação total entre o sul e o norte do território, consequência de acordos de paz que, assinados em janeiro de 2005, puseram fim a mais de 20 anos de guerra entre as duas áreas. Autoridades têm negado repetidamente rumores de que ele enfrenta problemas de saúde.

Os jornalistas detidos são os operadores de câmera Joseph Oliver e Mustafa Osman, o editor de vídeo Victor Lado, o colaborador Jacob Benjamin, e os operadores da sala de controle Cherbek Ruben e Joval Toombe.

Oyet, o líder do sindicato, afirmou estar preocupado porque os seis estão presos há mais tempo do que o limite de 24 horas determinado pela legislação para a detenção de suspeitos —depois disso, eles deveriam ter sido ser levados a um tribunal.

Em nota, a organização pediu que as investigações sejam encerradas rapidamente. "Se houve má conduta profissional ou transgressão", as autoridades deveriam "lidar com isso de forma justa, transparente e seguindo a lei", diz o texto.

Representante da região da África subsaariana no Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ, na sigla em inglês), Muthoki Mumo afirmou que o incidente confirma uma "tendência das forças de segurança de recorrer a detenções arbitrárias sempre que acredita que a cobertura midiática é desfavorável".

"As autoridades devem libertar incondicionalmente os jornalistas e garantir que eles possam trabalhar sem serem intimidados ou ameaçados de prisão", acrescentou.