Sugestão de adiar eleição inviabilizou acordo sobre rádios, avalia campanha de Bolsonaro

***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 23.08.2022 - O presidente Jair Bolsonaro (PL) participa da abertura do Congresso Aço Brasil 2022, no Hotel Unique, em SP. (Foto: Zanone Fraissat/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 23.08.2022 - O presidente Jair Bolsonaro (PL) participa da abertura do Congresso Aço Brasil 2022, no Hotel Unique, em SP. (Foto: Zanone Fraissat/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - A cúpula da campanha de Jair Bolsonaro (PL) diz lamentar que apoiadores do presidente tenham pedido o adiamento das eleições deste domingo (30) por conta da denúncia de supostas fraudes de rádios na exibição da propaganda eleitoral.

A avaliação é de que a hipótese, classificada internamente como "sandice", prejudicou a costura de um acordo com o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) para que as rádios apontadas suprimissem as propagandas do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) até a data do pleito, para equilibrar.

A partir do momento em que o adiamento começou a ganhar força entre bolsonaristas, o presidente da corte, Alexandre de Moraes, precisou ir para o "all in (ir para o tudo ou nada)", analisam os auxiliares.

Bolsonaro denunciou ao TSE na segunda-feira (24) a suspensão da propaganda eleitoral de Lula em rádios de todo o país sob argumento de que emissoras estariam deixando de veicular as inserções da campanha à reeleição do chefe do Executivo

O anúncio da entrega do relatório foi feito pelo ministro das Comunicações, Fábio Faria, em entrevista a jornalistas no Palácio da Alvorada. Ele disse que a campanha possuía um levantamento referente a duas semanas nestas regiões que somava 154.085 inserções a menos da propaganda de Jair Bolsonaro, na comparação com seu rival.

Nesta quarta-feira (26), Moraes rejeitou a ação, afirmou não haver provas da denúncia e ainda encaminhou o processo para o inquérito do STF (Supremo Tribunal Federal) das milícias digitais para analisar possível "cometimento de crime eleitoral com a finalidade de tumultuar o segundo turno do pleito em sua última semana".

Entre os defensores do adiamento das eleições está o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Em entrevista nesta quinta-feira (27) alegou não haver tempo hábil para equalizar a situação até o próximo domingo. O senador Lasier Martins (Podemos-RS) apontou essa como "a única solução".

Como a Folha de S.Paulo mostrou, o núcleo da campanha vê o suposto desequilíbrio na exibição das inserções políticas como um dano irreparável, e compara à perda de uma perna. Mas, internamente, a discussão para adiar o pleito não prosperou.