Sul-africanos se despedem de Desmond Tutu em velório na Cidade do Cabo

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Thandi Tutu (à dir.) recebe o caixão de seu pai, o arcebispo sul-africano Desmond Tutu, em sua chegada à Catedral de São Jorge, na Cidade do Cabo, em 30 de dezembro de 2021 (AFP/Rodger Bosch)

Os sul-africanos começaram a se despedir de Desmond Tutu, nesta quinta-feira (30), no velório com seus restos mortais realizado na Catedral de São Jorge, na Cidade do Cabo, de onde o arcebispo lutou durante anos contra o Apartheid.

Ornado com cravos brancos, o caixão simples de pinho - "o mais barato possível", havia pedido Tutu - chegou cedo à sua antiga paróquia sobre os ombros de seis padres anglicanos. Permanecerá neste local por dois dias, antes do funeral planejado para sábado (1º).

Pouco antes de o caixão entrar na catedral, o atual arcebispo da Cidade do Cabo, monsenhor Thabo Makgoba, fez uma oração, enquanto outros lançavam incenso. Depois disso, ao viúva deste incansável do defensor dos direitos humanos, carinhosamente apelidada de "Mama Leah", seguiu, devagar, atrás dele para dentro da igreja.

Desde sua morte no domingo (26), aos 90 anos, personalidades mundiais como o papa Francisco, seu amigo Dalai Lama e chefes de Estado homenagearam Desmond Tutu. Agora, é a vez dos sul-africanos, que se veem órfãos de uma de suas grandes referências.

De todas as idades e raças, cada um deles parou por alguns segundos diante do caixão. Muitos fizeram o gesto da cruz e outros abaixaram a cabeça ou uniram as mãos.

"Viemos prestar nossa homenagem", disse Joan Coulson à AFP que, acompanhada da irmã, chegou bem cedo pela manhã para ser uma das primeiras a entrar na catedral.

"Eu o conheci quando tinha 15 anos, agora tenho 70", afirmou, comparando Tutu a uma estrela do rock, "como Elvis (Presley)".

O público poderá ir à catedral até as 17h locais. Inicialmente previsto para durar um único dia, p velório foi estendido até sexta-feira, "por temor de uma avalanche", explicou o reverendo Gilmore Fry à AFP.

- Sem ostentação -

Após uma cremação privada, suas cinzas serão enterradas na igreja onde arcebispo serviu por dez anos até 1996.

Desde domingo, centenas de sul-africanos se aglomeraram na catedral, onde um registro foi aberto para que deixassem mensagens e flores.

O país decretou sete dias de luto, e todas as bandeiras tremulam a meio-pau. Na Cidade do Cabo, a icônica Montanha da Mesa se ilumina de violeta todas as noites em homenagem ao arcebispo, que costumava usar a batina desta cor.

A semana também foi marcada por inúmeras cerimônias, principalmente religiosas, em todo país.

Desmond Tutu "lutou as boas batalhas, agora ele terminou sua carreira", disse em uma cerimônia em Joanesburgo o reverendo Frank Chikane, que lutou contra o apartheid ao lado do arcebispo.

À tarde, amigos e familiares se reuniram na sede de sua fundação na Cidade do Cabo. "Tive o privilégio de estar perto de muitos daqueles que já se foram", disse a viúva de Nelson Mandela, Graàa Machel.

Mandla Mandela, o neto mais velho do primeiro presidente negro, pediu uma resposta coletiva ao ódio alimentada pela "pobreza, desigualdade e desemprego", referindo-se aos tumultos sem precedentes em julho que deixaram mais de 350 mortos.

No sábado, a cerimônia será sem ostentação e sem gastos extravagantes, já que Tutu deixou instruções rígidas a esse respeito. O único buquê de flores será o oferecido pela família. Devido à pandemia da covid-19, a presença será limitada a 100 pessoas.

A cerimônia religiosa também será um evento oficial. A pedido de Tutu, os militares limitarão sua intervenção à entrega de uma bandeira sul-africana à sua viúva, Leah, com quem se casou em 1955 e teve quatro filhos.

Debilitado pela idade avançada e pelo câncer, Tutu, ganhador do Prêmio Nobel da Paz de 1984, aposentou-se da vida pública nos últimos meses.

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