Casos de coronavírus começam a explodir no Sul e no Sudeste Asiático

O Globo e agências internacionais

KUALA LUMPUR e JACARTA — Países do Sul e do Sudeste Asiático têm registrado um aumento dos casos da Covid-19, com o governo da Malásia alertando para “uma tsunami de casos” caso a população não siga as diretrizes para restringir a circulação de pessoas. Na Índia, o governo pôs a região da Caxemira sob quarentena após a área registrar seu primeiro caso de infecção causada pelo Sars-CoV-2.

No Sudeste Asiático, o número de casos aumentou mais de 10 vezes no último mês, em parte devido a centenas de infecções associadas a um grande evento muçulmano na Malásia entre os dias 27 de fevereiro e 1º de março. Em resposta, a Organização Mundial da Saúde (OMS), fez um apelo para que todos os países da região acelerem “urgentemente medidas agressivas de combate ao Covid-19” para evitar um cenário pior.

Quarto país mais populoso do mundo com mais de 260 milhões de habitantes, a Indonésia anunciou seus dois primeiros casos do vírus no dia 2 de março, apesar de suspeitas de que a baixa aplicação de testes escondesse um panorama pior. Até quarta-feira, apenas 1.372 pessoas haviam sido testadas para a doença, muito menos que em diversos países vizinhos.

A expectativa do ministro da Saúde do país é que o número de casos continue a crescer, apesar da expectativa de que o cenário esteja controlado já em abril. O porta-voz da Associação de Médicos da Indonésia, no entanto, diz que o governo precisa tomar medidas mais duras para que pandemia seja de fato controlada. Até o momento, 311 casos foram registrados no país, com 25 mortes — mais que qualquer outro país da região.

Cingapura, globalmente aplaudida por seus esforços viu 47 novos casos diários na terça-feira, a maior parte deles vindos do exterior. Todos que chegarem ao país do exterior precisarão fazer autoisolamento de 14 dias, segundo o governo da cidade-Estado. Ao todo, o país diagnosticou 313 pessoas infectadas.

Na Malásia, dois terços das infecções registradas até o momento são ligadas ao evento religioso que teve a participação de peregrinos de todo o Sudeste Asiático – um evento similar aconteceria nesta semana na Indonésia foi suspenso. Até o momento, há 900 casos confirmados no país – 110 a mais que na quarta-feira. Duas mortes foram confirmadas.

O governo malaio impõe algumas das restrições mais duras da região aos seus 107 milhões de habitantes: suas fronteiras foram fechadas para viajantes, o movimento interno foi restringido, escolas e universidades tiveram áreas suspensas e empresas não-essenciais deverão ficar fechadas por duas semanas. Na vizinha Tailândia, bares, escolas, cinemas e arenas de briga de galos foram fechadas.

Sul Asiático

No Sul Asiático, o cenário é um pouco melhor: juntos, Paquistão, Índia e Sri Lanka têm quase 700 casos, com seis mortes. Teme-se, no entanto, que a doença se espalhe em proporções similares às da Europa, algo que poderá ser ainda mais devastador frente ao tamanho da população e à insuficiente infraestrutura hospitalar.

Nesta quinta-feira, a região da Caxemira, historicamente disputada por Délhi e Islamabad, registrou seu primeiro caso da doença. Isto levou o governo indiano a pôr o estado em quarentena, impedindo que a população saísse de casa. No final do ano passado, o governo nacionalista hindu do premier Narendra Modi retirou a autonomia constitucionalmente garantida do estado e, para evitar protestos, impôs duras restrições, impedindo o fluxo de pessoas e cortando o acesso à internet, por exemplo.

Até o momento, há 176 casos da Covid-19 confirmados na Índia, com três mortes. Há restrições em aglomerações públicas e toques de recolher em vigor em diversas regiões do país que, nesta quinta, baniu voos internacionais de pousarem no país. Modi também fez um apelo para que os indianos imponham a si mesmos um "autotoque de recolher" no próximo dia 22, uma tentativa de testar como o distanciamento social funcionará no país.

— São tempos desafiadores, mas devemos todos manter a disciplina para prevenir a disseminação do vírus — disse o premier em um discurso televisionado.

O governo do Sri Lanka, por sua vez, anunciou o adiamento das eleições parlamentares previstas para o dia 25 de abril em razão da epidemia. Desde quarta-feira, nenhum voo internacional pode pousar no país e diversas regiões têm toque de recolher em vigor. Há 57 casos confirmados, sem nenhuma morte.