Superbactérias são encontradas pela primeira vez fora de hospital em SP

(Janice Haney Carr/CDC via AP)

RESUMO DA NOTÍCIA

  • Klebsiella pneumoniae é responsável por infecções hospitalares e é resistente aos antibióticos

  • Auto-medicação torna bactérias mais resistentes e preocupa comunidade científica

Pela primeira vez, a bactéria Klebsiella pneumoniae foi detectada na região de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, em pessoas que não estavam internadas. Até então, o microrganismo - responsável por infecções hospitalares e mega resistente aos antibióticos - só havia sido encontrado dentro de hospitais.

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“A princípio tivemos surpresa. São bactérias encontradas geralmente em pacientes internados em hospitais, tomando mais antibióticos, tratando doenças. Achamos vários genes de resistência, associados ao que chamam de superbactérias”, conta André Pitondo da Silva, coordenador do grupo de estudos responsável pela descoberta.

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O professor de microbiologia da Universidade de Ribeirão Preto (Unaerp) explica que as bactérias que apresentam genes de resistência são capazes de produzir a enzima KPC, que consegue degradar antibióticos.

No entanto, ainda é possível combater a bactéria através de um exame que identifica exatamente qual remédio deve ser usado. Caso o paciente tome a medicação errada, o quadro pode evoluir para uma infecção generalizada.

O pesquisador demonstra preocupação: “Infelizmente, embora antibióticos sejam controlados, ainda existe a auto-medicação. Com antibiótico errado, na dosagem errada e no tempo errado a bactéria pode se tornar ainda mais resistente.”

O grupo se deparou com a situação por acidente, enquanto realizava outro estudo. Eles coletavam as bactérias Klebsiella pneumoniae de pacientes de um hospital local por intermédio de um laboratório. O objetivo era mapear o perfil molecular do microrganismo em cinco regiões brasileiras e países dos cinco continentes.

Quando descobriram que 48 amostras recebidas não eram de pacientes internados, iniciaram uma nova pesquisa, financiada pela Fapesp e publicada no "Journal of Global Antimicrobial Resistance". Destas, 29 eram multirresistentes a antibióticos.

A DESCOBERTA

O professor conta que descoberta causa alerta na comunidade científica: “Além de serem mais difíceis de serem tratadas pela multirresistência, as bactérias são mais virulentas, mais perigosas, com maior poder de causar doença no paciente. Ainda encontramos uma outra característica em parte das amostras que é super mucóide, grudando na mucosa como um chiclete. Se estiver na bexiga, forma um biofilme, e isso só tinha relatos em hospitais.”

As 48 amostras eram justamente de pessoas que fizeram exames de urina para tratar infecções urinárias. Como os pesquisadores não tiveram acesso aos protocolos dos pacientes, não conseguem dizer como foram contaminados. A principal hipótese é que eles contraíram a bactéria após uma internação, se tornaram portadores e mais tarde acabaram desenvolvendo a infecção urinária.

No entanto, também é possível que o contágio tenha acontecido na própria comunidade, em banheiros públicos ou através de relação sexual sem proteção.