Supercondutores: o material que promete uma revolução energética

Paul Rincon - Editor de Ciência de BBC News
·2 minuto de leitura
Um dispositivo de alta pressão chamado bigorna de diamante foi usado para o experimento
Um dispositivo de alta pressão chamado bigorna de diamante foi usado para o experimento

A ciência finalmente encontrou o primeiro material com uma propriedade buscada por quase um século: a supercondução à temperatura ambiente.

Um material supercondutor permite que a corrente elétrica flua por ele com perfeita eficiência, sem desperdiçar energia.

Até agora, grande parte da energia que geramos é perdida devido à resistência elétrica, que é dissipada na forma de calor.

Portanto, materiais supercondutores em temperatura ambiente podem revolucionar a rede elétrica.

No passado, atingir a supercondutividade exigia o resfriamento de materiais a temperaturas muito baixas. Quando esta propriedade foi descoberta em 1911, ela ocorria a uma temperatura próxima do chamado zero absoluto (-273,15° C).

Supercondutores em temperatura ambiente podem revolucionar a rede elétrica
Supercondutores em temperatura ambiente podem revolucionar a rede elétrica

Desde então, os físicos encontraram materiais que podem ser supercondutores em temperaturas mais altas, mas ainda assim muito frias.

A equipe por trás desta última descoberta observou a propriedade supercondutora em um composto de hidreto de enxofre carbonáceo a uma temperatura de 15° C.

No entanto, a propriedade só apareceu em pressões extremamente altas de 267 bilhões de pascais — cerca de um milhão de vezes mais altas do que a pressão típica dos pneus de um carro.

Isso obviamente limita sua utilidade prática.

Os cientistas foram capazes de observar o comportamento supercondutor em temperatura ambiente
Os cientistas foram capazes de observar o comportamento supercondutor em temperatura ambiente

Busca continua

"Devido aos limites da baixa temperatura, materiais com propriedades tão extraordinárias não transformaram o mundo da maneira que muitos poderiam imaginar", diz o físico Ranga Dias, da Universidade de Rochester, em Nova York, que fez parte da equipe.

"No entanto, nossa descoberta quebrará essas barreiras e abrirá a porta para muitas aplicações potenciais."

O próximo objetivo será encontrar maneiras de criar supercondutores em temperatura ambiente em pressões mais baixas, o que tornará mais econômico produzi-los em maior volume.

Dias diz que quando isso for descoberto "poderá mudar definitivamente o mundo como o conhecemos".

Nos Estados Unidos, as redes elétricas perdem mais de 5% de sua energia no processo de transmissão. Portanto, evitar essa perda poderia potencialmente economizar bilhões de dólares e até mesmo afetar o clima do planeta.

Um ímã flutua em um supercondutor resfriado com nitrogênio líquido
Um ímã flutua em um supercondutor resfriado com nitrogênio líquido

Esses materiais podem ter muitas outras aplicações.

Isso inclui uma nova maneira de impulsionar trens magnéticos, como os Maglevs que "flutuam" nos trilhos do Japão e da China. A levitação é uma característica de alguns materiais supercondutores.

Outra aplicação seria na eletrônica para torná-la mais rápida e eficiente.

"Com este tipo de tecnologia, podemos nos tornar uma sociedade supercondutora onde você nunca mais precisará de coisas como baterias novamente", disse o coautor do estudo, Ashkan Salamat, da Universidade de Nevada em Las Vegas.

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