Superintendente da PF de Minas afirma que ofereceu 'todas as condições' para investigação do caso Adélio

Aguirre Talento

BRASÍLIA - Em depoimento prestado nesta quarta-feira, o superintendente da Polícia Federal em Minas Gerais Cairo Costa Duarte afirmou que ofereceu "todas as condições materiais e de recursos humanos" para a investigação do atentado sofrido pelo presidente Jair Bolsonaro em 2018, quando levou uma facada de Adélio Bispo durante um evento da campanha eleitoral em Juiz de Fora (MG).

Cairo foi ouvido pelos investigadores do inquérito em tramitação no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre supostas interferências indevidas de Bolsonaro na PF. Essa investigação do caso Adélio era um dos focos de insatisfação do presidente com a Polícia Federal. Bolsonaro tem afirmado que acredita existir um mandante, mas o inquérito da PF concluiu que Adélio agiu sozinho.

"O depoente não se recorda de ter recebido nenhuma recomendação específica em relação ao 'caso Adélio', desejando ressaltar que espontaneamente, por se tratar de um caso paradigmático, o depoente ofertou todas as condições materiais e de recursos humanos necessárias ao bom andamento das investigações", disse Cairo em seu depoimento. Ele complementou afirmando que o delegado Rodrigo Morais, responsável pelo inquérito, nunca se queixou da falta de estrutura ou de dificuldades para trabalhar.O superintendente da PF de Minas afirmou que nunca recebeu pedidos de informação do presidente sobre o caso Adélio nem nenhuma "recomendação" para a condução do caso, mas conta que se reuniu por duas vezes com o presidente em Brasília para apresentar o resultado das investigações. A última dessas reuniões foi na semana passada, em companhia do atual diretor-geral Rolando Alexandre de Souza e do delegado que atuou no inquérito, Rodrigo Morais.

Segundo Cairo, em nenhum dos dois encontros Bolsonaro teria demonstrado insatisfação com a investigação. "Em ambas as oportunidades os encontros tiveram por objetivo a exposição ao senhor presidente da República do resultado das investigações referentes à tentativa de homicídio de que ele foi vítima na campanha de 2018", disse. Questionado se repassou informações do inquérito sobre candidaturas-laranja do PSL para o presidente, Cairo afirmou que não e disse que nunca recebeu cobranças a respeito dessa investigação.Morais, o delegado do caso Adélio, também presta depoimento nesta quarta-feira.