Superliga europeia: Quem faz parte, quem já saiu e tudo o que se sabe sobre a competição

O Globo
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O anúncio da criação da Superliga europeia, feito no último domingo, teve o poder de uma bomba no mundo do futebol. Fez muito barulho, gerou reações de todos os lados possíveis e foi seguido por um horizonte de dúvidas e incertezas. O GLOBO enumera, ponto a ponto, o que se sabe sobre esta polêmica.

Quais os clubes fundadores?

Doze dos principais clubes de três países formam o bloco dos criadores. A Inglaterra possui o maior número de representantes: seis (Arsenal, Chelsea, Liverpool, Manchester City, Manchester United e Tottenham). Os outros seis vem de Itália e Espanha, com três cada: Milan, Inter de Milão, Juventus, Atlético de Madrid, Barcelona e Real Madrid. A ideia é anunciar mais três integrantes deste grupo de formadores.

Quem já desembarcou deste grupo após a repercussão?

Cerca de 48 horas depois do anúncio da Superliga, o Manchester City anunciou que está fora do bloco de clubes. Em um comunicado curto publicado nesta terça-feira, o City disse que iniciou "formalmente os procedimentos para se retirar do grupo".

Em seguida, o clube foi acompnhado pelos seu outros conterrâneos. Manchester United, Tottenham, Liverpool e Arsenal também anunciaram sua desistência de participar da criação do projeto. Em suas redes sociais, o Arsenal disse ter ouvido a comunidade do futebol: "Cometemos um erro e pedimos desculpa por isso".

O Chelsea se movimenta para seguir o mesmo caminho.

Quem anunciou que não fará parte?

Os clubes alemães e franceses rejeitaram a ideia de aderir ao grupo. A Federação Francesa de Futebol e a Liga de Futebol da França emitiram nota conjunta na qual dizem que “sonhos hegemônicos de uma oligarquia resultarão no desaparecimento de um sistema europeu que permitiu que o futebol se desenvolvesse sem precedentes no continente”.

Através de seu presidente, Herbert Hainerdiz, o Bayern de Munique afirmou que "nossos membros e fãs rejeitam uma Superliga. Como FC Bayern, é nosso desejo e nosso objetivo que os clubes europeus vivam esta maravilhosa e emocionante competição da Champions e a desenvolvam em conjunto com a Uefa. O FC Bayern diz não à Superliga".

O Paris Saint-Germain também se manifestou através de seu presidente. Ao tomar posse para mais um mandato como representante da Associação dos Clubes Europeus no Comitê Executivo da Uefa, Nasser Al-Khelaïfi disse que o PSG "acredita firmemente que o futebol é um jogo para todos. Tenho sido consistente nisso desde o início. Como clube de futebol, somos uma família e uma comunidade, cujo tecido são os nossos fãs. Creio que não devemos esquecer isto. Há uma necessidade clara de fazer avançar o modelo de competição da Uefa existente, apresentado ontem, concluindo 24 meses de extensa e colaborativa consulta em todo o cenário do futebol europeu. Acreditamos que qualquer proposta sem o apoio da Uefa, uma organização que trabalha para promover os interesses do futebol europeu há quase 70 anos, não resolve os problemas que a comunidade futebolística enfrenta atualmente. Mas, sim, é movida por interesses próprios".

Como seria a competição?

O formato anunciado é com 20 clubes. Entram os 15 fundadores, sem rebaixamento, e cinco times que se classificarão anualmente com base no desempenho da temporada anterior. A disputa será em datas em meios de semana para que todos os participantes disputem as respectivas ligas nacionais.

A Superliga se propõe a começar em um mês agosto, com dois grupos de dez times e jogos de ida e volta. Os três primeiros de cada chave se classificarão para as quartas de final diretamente. Os que terminarem em quarto e quinto farão um playoff, em ida e volta, para as duas posições restantes nas quartas de final. Um formato mata-mata será usado até a decisão, ao fim de maio, disputada em jogo único e em campo neutro.

Segundo a nota divulgada, "tão logo seja possível, após o início da competição masculina, um torneio feminino correspondente será anunciado".

"Além disso, a competição será construída sobre um alicerce financeiro sustentável, com os clubes fundadores aderindo a uma estrutura de gastos. Em troca pelo compromisso, receberão o montante de 3,5 bilhões para sustentar os planos de investimento em insfraestrutura e compensar a pandemia da Covid-19", conclui a nota.

O que dizem Uefa e Fifa?

A Uefa prometeu esforços conjuntos com as outras ligas nacionais “para parar esse projeto cínico, fundado em interesses próprios de poucos clubes em um momento em que a sociedade precisar mais do que nunca de solidariedade”. Além de ameaçar os clubes, citou jogadores que participarem da Superliga como passíveis de banimento de “todas as competições da Uefa e Fifa, europeias ou internacionais”.

As federações de Espanha, Inglaterra e Itália, de onde vem os 12 fundadores, se posicionaram ao lado da entidade continental e reforçaram que, se a Superliga for adiante, seus membros não poderão participar das ligas de cada país.

Em comunicado, a Fifa aponta que "só pode expressar sua desaprovação a uma 'liga separatista europeia fechada', fora das estruturas futebolísticas internacionais e sem respeitar os princípios antes mencionados". A entidade acrescenta que "se mantém firme a favor da solidariedade no futebol e de um modelo de redistribuição equitativa que possa contribuir com o desenvolvimento do futebol como esporte, especialmente a nível mundial".

Outras reações

O anúncio da Superliga foi acompanhado de posições contrárias por parte de jogadores, treinadores e torcedores. Nesta terça, houve um protesto mais intenso por parte de torcedores do Chelsea. Centenas de torcedores foram até a entrada do Estádio Stamford Bridge para protestar contra a participação do clube. Policiais estimam que até 1.500 pessoas compareceram.

O técnico Pep Guardiola, do Manchester City, se colocou em oposição à tentativa de fundar um torneio separatista, sem rebaixamento: "Não é um esporte se o sucesso está garantido ou se não importa quando você perde. Já disse muitas vezes que quero uma Premier League de sucesso, não apenas uma equipe no topo. Eles (criadores da Superliga) precisam esclarecer porque essas equipes estão e outras não, como é o caso do Ajax, que tem quatro títulos da Liga dos Campeões".

Em comunicado publicado nas redes sociais, o elenco do Liverpool foi claro: “Não gostamos e não queremos que isso aconteça. É a nossa posição coletiva. Nosso compromisso com este clube e com seus torcedores é absoluto e incondicional”. Com faixas, um grupo de torcedores organizou um protesto na porta do estádio de Anfield na última segunda-feira. Eles criticaram a nova competição e próprio clube inglês.

No Manchester United, a crise já gerou ao anuncio de que o vice-presidente executivo, Ed Woodward, deixará seu cargo. Ele sairá no fim deste ano.

A FIFPro, o sindicato mundial de jogadores de futebol profissionais, divulgou uma nota oficial com duras críticas à criação da nova competição, manifestando preocupação com o impacto em toda a estrutura do esporte, incluindo a carreira dos jogadores.