Supervia pede recuperação judicial com R$ 1,2 bilhão em dívidas

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RIO E SÃO PAULO - A Supervia, companhia de trens urbanos da região metropolitana do Rio, pediu recuperação judicial nesta segunda-feira ao Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ). A informação foi antecipada pelo jornal Valor Econômico e confirmada pelo GLOBO com pessoas familiarizadas sobre o assunto.

A concessionária, que continua em operação, administra uma malha viária de 270 km em oito ramais e 104 estações. A empresa fechou o ano passado com prejuízos acumulados de R$ 386,52 milhões. Hoje, a Supervia tem a concessão dos ativos até 2048, em um contrato que está em seu oitavo aditivo.

Ao todo, a companhia acumula dívidas de R$ 1,215 bilhão. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) é o principal credor, tendo R$ 840 mihlões a receber do grupo. A distribuidora de energia Light vem em seguida, com R$ 155,9 milhões.

A Supervia também deve a portadores de debêntures de infraestrutura ao menos R$ 52,4 milhões. Entre os bancos privados, o Bradesco é o principal credor da concessionária, com R$ 30,2 milhões a receber.

Em seu pedido de proteção contra a falência, que tramita na 2ª Vara Empresarial do Rio, a empresa afirma que a pandemia do coronavírus afetou sua receita. Apesar disso, no entanto, é fato que as dificuldades financeiras da empresa já duram quase uma década.

A companhia, que já foi administrada pela Odebrecht, é controlada atualmente pela Gumi Brasil, subsidiária de um consórcio liderado pela japonesa Mitsui.

"No período compreendido entre os meses de março de 2020 e junho de 2021, registra-se uma queda de mais de R$ 472 milhões de arrecadação financeira, como reflexo da redução de mais de 102 milhões de passageiros no período de mais de um ano de pandemia", diz o pedido, assinado pelo escritório de advocacia Galdino&Coelho.

A Supervia menciona, por exemplo, que teve o feriado extendido da Páscoa neste ano causou um impacto negativo de R$ 2,9 milhões em seu caixa.

A empresa também afirma que tem a receber do governo do Rio de Janeiro aproximadamente R$ 200 milhões referentes a dívidas de processos sucessórios trabalhistas e cíveis de responsabilidade da Flumitrens e/ou Central Logística já pagos pela Supervia, mas que deveriam, de acordo com a empresa, ser reembolsados pelo governo estadual.

Em seu pedido de recuperação judicial, a Supervia também afirma que o aumento do preço da energia elétrica, que representa um quarto de seus custos, afetou a sua operação.

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