SuperVia pede recuperação judicial com R$ 1,2 bilhão em dívidas

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SÃO PAULO e RIO — A SuperVia, companhia de trens urbanos da Região Metropolitana do Rio, pediu recuperação judicial ao Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ), nesta segunda-feira (dia 7). A informação foi antecipada pelo jornal Valor Econômico e confirmada pelo EXTRA.

A concessionária, que continua em operação, administra uma malha viária de 270 km em oito ramais e 104 estações distribuídas em 12 municípios.

A empresa fechou o ano passado com prejuízos acumulados de R$ 386,52 milhões, que atribui principalmente à redução de passageiros provocada pela pandemia.

A SuperVia detém a concessão dos trens metropolitanos do Rio até 2048, em um contrato que está em seu oitavo aditivo.

Ao todo, a companhia acumula dívidas de R$ 1,215 bilhão. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) é o principal credor, tendo R$ 840 milhões a receber do grupo (69% do passivo).

A distribuidora de energia Light vem em seguida, com R$ 155,9 milhões (13% das dívidas totais).

A SuperVia também deve a portadores de debêntures de infraestrutura ao menos R$ 52,4 milhões. Entre os bancos privados, o Bradesco é o principal credor da concessionária, com R$ 30,2 milhões a receber.

Em nota, a SuperVia afirmou que "o pedido tem como objetivo preservar a prestação de serviço aos milhares de passageiros de trens da Região Metropolitana do Rio de Janeiro e iniciar um novo ciclo de negociação junto aos credores e ao Poder Concedente a fim de superar a atual crise financeira pela qual passa a concessionária".

Segundo fontes do setor, o processo de recuperação judicial será conduzido pela consultoria Alvarez & Marsal.

A recuperação judicial já era aventada há tempos pela gestão da empresa, que esperava recuperação no fluxo de passageiros este ano. Com o recrudescimento da pandemia, não teve outra saída.

O principal problema, disse outra fonte, é o baixo número de passageiros transportados por dia, bem abaixo da capacidade de 1,2 milhão diários. O problema foi agravado pela pandemia.

A Supervia diz que, antes da pandemia, a concessionária transportava 600 mil passageiros por dia. O movimento diário agora é de 300 mil passageiros, uma queda de 50%.

Ainda assim, com a redução do número de trens em circulação, há queixas de superlotação em horários de pico e recorrentes problemas técnicos com paralisação de composições.

"Com o agravamento da pandemia e da crise econômica e social do Rio de Janeiro, a recuperação total do fluxo de passageiros está prevista apenas para 2023", diz o comunicado da empresa.

Em seu pedido de proteção contra credores, que tramita na 2ª Vara Empresarial do Rio, a empresa afirma que a pandemia do coronavírus afetou sua receita. Apesar disso, é fato que as dificuldades financeiras da empresa já duram quase uma década.

"No período compreendido entre os meses de março de 2020 e junho de 2021, registra-se uma queda de mais de R$ 472 milhões de arrecadação financeira, como reflexo da redução de mais de 102 milhões de passageiros no período de mais de um ano de pandemia", diz o pedido, assinado pelo escritório de advocacia Galdino&Coelho.

A SuperVia também afirma que o aumento do preço da energia elétrica, que representa um quarto de seus custos, afetou a sua operação.

A SuperVia menciona, por exemplo, que teve o feriado estendido da Páscoa neste ano causou um impacto negativo de R$ 2,9 milhões em seu caixa.

A empresa também afirma que tem a receber do governo do Rio de Janeiro aproximadamente R$ 200 milhões referentes a dívidas de processos sucessórios trabalhistas e cíveis de responsabilidade da Flumitrens e/ou Central Logística já pagos pela Supervia, mas que deveriam, de acordo com a empresa, ser reembolsados pelo governo estadual.

A companhia, que já foi administrada pela Odebrecht, é controlada atualmente pela Gumi Brasil, subsidiária de um consórcio liderado pela japonesa Mitsui.

Em 2019, após a saída da Odebrecht, a concessionária iniciou um processo de busca de novos sócios. O Mubadala, fundo soberano dos Emirados Árabes, avaliou mas nao se interessou pela companhia.


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