SuperVia reduziu em 69% o número de viagens expressas dos trens que ligam o Rio a 11 municípios

Trechos com mais demora para serem percorridos, um crescente número de atrasos, e consequentemente vagões mais lotados. Um levantamento feito pela Agência Reguladora de Serviços Públicos Concedidos de Transportes (Agetransp) revela que os passageiros dos trens contam com 69% a menos de viagens expressas, na malha ferroviária que liga o Rio a outros 11 municípios. A estatística chegou a este resultado comparando o número de 336 viagens rápidas, que existia no período que antecedeu a pandemia, iniciada em março de 2021 e que durou dois anos, com o momento atual, onde há apenas 102 ligações expressas.

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O ramal que mais perdeu viagens expressas foi o de Belford Roxo. Até o início de 2020, eram 26 ligações rápidas com composições que não paravam em pelo menos quatro estações ( 12 viagens no horário de pico da manhã e 14 no rush tarde e noite). No período atual, há apenas um trem expresso no ramal, no início do dia, no sentido Central, o que corresponde a uma redução de 96%. Logo atrás, vem o ramal de Santa Cruz com uma redução de 89% . Já o ramal Japeri sofreu uma diminuição de 47% nas viagens expressas.

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O mesmo levantamento revelou ainda que, nos seis primeiros meses de 2022, um total de 1637 partidas/viagens foram suprimidas ou interrompidas por problemas relacionados à segurança pública ( tiroteios, furtos e roubos de equipamentos, vandalismos, acessos irregulares e etc). Em média, significa dizer que, por dia, nove viagens foram canceladas ou interrompidas pelo motivo alegado. O ramal campeão deste quesito é o de Santa Cruz com 675 supressões ou cancelamentos registrados no período.

O mesmo ramal também é líder em atrasos justificados por problemas de segurança pública ( registrados no primeiro semestre ), com 372 partidas ou viagens prejudicadas. O resultado da estatística não surpreendeu quem viaja diariamente no ramal.

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— É muito difícil ter uma rotina certa por causa dos horários dos trens. Além dos intervalos irregulares, muitos trens vem quebrados ou são muitos lentos, o que acaba sendo um prejuízo enorme pra quem tem horário pra chegar num determinado lugar. Eu tento sair 3 horas antes pra poder chegar a tempo mas mesmo assim, pode acontecer de ter atrasos — disse a universitária Letícia Nogueira, que mora na Zona Oeste e usa o ramal de Santa Cruz, de segunda a sexta-feira, para chegar ao Centro do Rio.

De acordo com os dados da Agetransp, foram registrados, nos seis primeiros meses do ano, um total 243 atrasos pelo motivo já descrito anteriormente. Levando em conta os nove ramais da SuperVia, foram computados 738 atrasos pelo mesmo problema no período. Ou seja, em média, significa que quatro atrasos ocorreram por dia na malha ferroviária por conta de transtornos relacionados à segurança pública.

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O segundo lugar no ranking das viagens atrasadas em decorrência de problemas de segurança pública é ocupado pelo ramal Gramacho/Saracuruna. Foram registrados, nos seis primeiros meses do ano, no trecho entre Central do Brasil e Gramacho, um total 243 atrasos pelo motivo já descrito anteriormente. Para tentar driblar o caos, usuários do ramal usam as redes sociais.

—São quase que diários os atrasos. temos um grupo nas redes sociais com mais de 170 pessoas. Um avisa o outro com postagens, quando o trem atrasa. Assim, quando dá ruim, eu recebo o aviso, eu apelo para o ônibus para chegar ao trabalho — disse o motorista João Ferraz, de 57.

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O professor Eduardo Araújo, de 40, usa os ramais Belford Roxo e Gramacho para se deslocar da Zona Norte do Rio até os municípios onde trabalha. Ele diz que o primeiro ramal é o pior de todos.-Uso os dois, mas o de Belford Roxo é pior. os atrasos são constantes. saio, às vezes, até quatro horas antes do horário para contar com os atrasos que podem ocorrer. O ideal seria a volta de todos os horários do expresso. Faz muita falta e a demora seria menor - disse.

Procurada, a SuperVia lamentou que causas externas prejudiquem a operação dos trens. E esclareceu ainda disse que fatores externos impactaram na quantidade de ofertade viagens expressas, mas que segue avaliando as possibilidades da criação de novos trens expressos. Já a Polícia Militar informou não ter tido ci~encia do conteúdo levantamento . E esclareceu ainda que o Grupamento de Policiamento Ferroviário (GPFer) atua em toda malha ferroviária fluminense em seus mais de 270 quilômetros. Segundo a nota, neste ano de 2022, 109 indivíduos foram detidos pelo GPFer em cometimento de práticas criminosas.

Abaixo, a íntegra das duas notas:

SuperVia

"Em relação às supressões e cancelamentos de viagens, a SuperVia lamenta que causas externas prejudiquem a operação e a prestação de serviço a seus clientes. Em casos de ocorrências policiais, os agentes são orientados a acionar os órgãos responsáveis para as providências cabíveis, pois esses colaboradores não têm poder de polícia para atuar na prevenção ou coerção de ações de natureza criminal, conforme estabelece a legislação e o contrato de concessão. Para diminuir esses índices, a SuperVia tem atuado em apoio à Força-Tarefa criada pelo governo do Estado visando coibir os crimes contra o sistema ferroviário, e as ocorrências que impactam a operação são comunicadas às autoridades policiais. A concessionária também está aprimorando a capacitação das equipes de segurança patrimonial e a infraestrutura no sistema para tentar minimizar esses casos.

Sobre a nova grade de horários e intervalos programada para iniciar no dia 31 de outubro, a SuperVia precisou postergar a mudança em função da necessidade de ajustes técnicos e da conclusão de melhorias no sistema. Tão logo tenha uma nova data, a SuperVia irá comunicá-la aos passageiros.

No que diz respeito a viagens expressas, a SuperVia esclarece que fatores externos impactaram na quantidade ofertada desse tipo de serviço, mas a concessionária segue interessada e avaliando as possibilidades de criação de novos trens expressos."

Polícia Militar

"A Assessoria de Imprensa da Secretaria de Estado de Polícia Militar informa que, até o momento, não teve ciência do conteúdo do referido relatório.

O Grupamento de Policiamento Ferroviário (GPFer) atua em toda malha ferroviária fluminense em seus mais de 270 quilômetros. Neste ano de 2022, 109 indivíduos foram detidos pelo GPFer em cometimento de práticas criminosas. A área de policiamento do GPFer é composta por mais de 100 estações de passageiros distribuídas em doze municípios do Estado do Rio. Ao longo desta extensão, somando-se ao GPFer, os batalhões de área patrulham o perímetro externo, assim como o entorno das estações.

Além do patrulhamento ostensivo preventivo, o GPFer e os batalhões também fazem ações integradas com a concessionária que opera o sistema ferroviário para reconstrução de muros ao longo da via férrea visando conter acessos irregulares e prática de crimes.

Para combater furtos e roubos, a Corporação também montou um grupo de trabalho com operadoras de telecomunicações, órgãos públicos e concessionárias de serviços públicos para unir esforços no combate aos furtos e roubos. Autoridades e representantes das instituições se reúnem para compartilhamento de informações que contribuam para a atuação operacional dos policiais militares

As unidades da Polícia Militar empregam ações ostensivas planejadas seguindo informações oriundas de denúncias e do Setor de Inteligência, sendo respeitadas as determinações atualmente vigentes."