Suplente de Flávio Bolsonaro afirma que PF antecipou que Queiroz seria alvo de operação

Queiroz (no meio) ao lado de Flávio Bolsonaro e de sua filha Evelyn (Reprodução)

Um dos apoiadores mais próximos do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) durante sua campanha presidencial, o empresário Paulo Marinho, 68, relatou em entrevista à colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, que o senador Flávio Bolsonaro (sem partido-RJ) soube com antecedência da Operação Furna de Onça, da Polícia Federal, que tinha como alvo Fabricio Queiroz, ex-funcionário de seu gabinete.

Marinho, que foi candidato a suplente na chapa de Flávio ao Senado, afirma que em 12 de dezembro de 2018 recebeu ligação do filho do presidente pedindo um encontro por sugestão do pai. De acordo com o empresário, se encontraram em 13 de dezembro, em sua casa, na qual o senador chegou após ter, segundo ele, pedido por um advogado criminalista.

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No dia 13, pela manhã, ele afirma que Flávio Bolsonaro e ele se encontraram já com os advogados Christiano Fragoso e Victor Alves. Segundo o empresário, o senador começou a relatar completamente transtornado o episódio Queiroz. 

“Ele [Flávio Bolsonaro] estava absolutamente transtornado. E esse advogado, Victor, dizendo ao advogado Christiano que tinha conversado com o Queiroz na véspera e que o Queiroz tinha dado a ele acesso às contas bancárias para ele checar as acusações que pesavam contra o Queiroz”, afirma o empresário na entrevista.

“O Victor estava absolutamente impressionado com a loucura do Queiroz, que tinha feito uma movimentação bancária de valores absolutamente incompatíveis com tudo o que ele poderia imaginar”, conclui Marinho ao falar sobre as movimentações reveladas pelo ex-funcionário de gabinete do filho do presidente.

Foi depois de ter relatado o caso Queiroz para o empresário que Flávio, que segundo Marinho diz chegou a lacrimejar neste momento, contou do dia em que foi avisado antecipadamente sobre a operação que teria como alvo seu ex-funcionário.

Segundo o relato do empresário, um encontro teria ocorrido na Superintendência da Polícia Federal, na praça Mauá, no Rio de Janeiro. Nele estavam o ex-coronel Miguel Braga, atual chefe de gabinete de Flávio no Senado, o advogado Victor Alves e Val Meliga, que segundo Marinho era “da confiança do Flávio e irmã de dois milicianos que foram presos na Operação Quatro Elementos”.

“O delegado saiu de dentro da superintendência. Na calçada —eu estou contando o que eles me relataram—, o delegado falou: ‘Vai ser deflagrada a Operação Furna da Onça, que vai atingir em cheio a Assembleia Legislativa do Rio. E essa operação vai alcançar algumas pessoas do gabinete do Flávio [o filho do presidente era deputado estadual na época]. Uma delas é o Queiroz e a outra é a filha do Queiroz [Nathalia], que trabalha no gabinete do Jair Bolsonaro [que ainda era deputado federal] em Brasília’”, afirmou o empresário na entrevista à Folha.

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