'Se insistir nos cortes, Bolsonaro terá pouco tempo de governo', afirma Suplicy

REUTERS/Ueslei Marcelino

O vereador Eduardo Suplicy (PT-SP) disse nesta quarta-feira (15), durante o protesto contra os cortes nos orçamentos das universidades federais, que, se o presidente Jair Bolsonaro (PSL) insistir na medida, terá pouco tempo no governo.

"Vai ser desastroso. As diretrizes que seu governo já aplica na educação vão contra os princípios democráticos e a vontade do povo. E por isso hoje estamos nas ruas. Ele tem que parar de agir contra o povo. Os cortes vão contra as oportunidade para todos na educação", disse ele, que acompanhou a manifestação de alto de um trio elétrico estacionado ao lado do Masp.

Corte de 30% não é razoável, diz governador do Rio Grande do Sul

O bloqueio de 30% dos recursos discricionários das universidades federais não é razoável, afirmou o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), após evento em Nova York.

"Não parece razoável um corte de 30%. [Corte de] 30% linearmente, sem critérios, sem dúvida nenhuma gera um problema. Estamos trabalhando no sentido de sensibilizar o ministério e tenho segurança que isso acontecerá para que esse investimento não seja cortado", disse.

O governador afirmou que as instituições são importantes para formar profissionais qualificados no estado. "É claro que é muito ruim para qualquer universidade. A do Rio Grande do Sul e as outras federais que temos -Pelotas, Santa Maria, Rio Grande, Unipampa- todas essas universidades são importantes na formação da mão de obra qualificada para o estado do Rio Grande do Sul".

Eduardo Leite está em Nova York para o Latam CEO Conference, evento do Itaú que reúne empresas brasileiras e latino-americanas em busca de parceiros comerciais globais.

Advogados da OAB fazem plantão para atender casos de violência em protestos

Quinze advogados da Comissão de Direitos Humanos da OAB-SP (seção de São Paulo das Ordem dos Advogados do Brasil) estarão de plantão nesta quarta para atuar no caso de eventuais violações ao direito de manifestação.

De acordo a advogada Ana Amélia Mascarenhas Camargos, presidente da comissão, a medida foi tomada diante do receio de que ocorram atos hostis e violentos contra os manifestantes, que protestam em oposição aos cortes determinados pelo governo federal nos recursos da educação.

"O governo tem agido com agressividade", disse à reportagem, minutos após o presidente Jair Bolsonaro chamar os manifestantes de "idiotas úteis", classificando-os como "militantes" e "instrumento político de uma minoria espertalhona que compõe o núcleo das universidades federais".

Ana Amélia, que é professora de direito do trabalho na PUC-SP, afirma que "o governo trata a educação como gasto, enquanto o mundo todo considera como investimento fundamental para a formação da sociedade e para a melhora da qualidade de vida".

"Que cidadão este governo quer formar?", pergunta Ana Amélia. "A educação é a base do mundo civilizado", afirma.

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O ministro-chefe da Casa Civil, Onix Lorenzoni, comparou a redução de recursos nas universidades com as dificuldades financeiras de um pai que pretende comprar um vestido para a festa de 15 anos da filha. "Então, ele diz: pode ser que não dê, então não vou sair para comprar cigarro, não vai ter cervejinha no final de semana."

O telefone da Comissão de Direitos Humanos da OAB-SP é (11) 3291-8210.