Suposto financiamento líbio da campanha de Sarkozy leva a novas prisões

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(Arquivo) A jornalista francesa Michèle Marchand

Um jornalista da revista "Paris Match" e a diretora de uma célebre agência de paparazzi foram presos nesta quinta-feira na França, por suspeita de manipulação de testemunhas no caso do suposto financiamento líbio da campanha presidencial de Nicolas Sarkozy em 2007.

Fontes próximas ao caso indicaram à AFP que a investigação se concentra em suspeitas de "manipulação de testemunhas" e "associação criminosa" relacionadas a uma entrevista concedida em novembro pelo intermediário Ziad Takieddine ao jornalista da Paris Match, que viajou ao Líbano com essa finalidade, acompanhado de um fotógrafo da agência BestImage. Na entrevista, Takieddine retirou suas acusações contra o ex-chefe de Estado, que, em um primeiro momento, havia acusado de receber dinheiro do líder líbio Muammar Khadafi para sua campanha eleitoral.

Segundo as fontes, foram feitas hoje buscas nos domicílios da chefe da BestImage, Michèle Marchand, e do jornalista da Paris Match François de Labarre. Este último foi libertado à noite, sem acusações, informou seu advogado à AFP.

Em comunicado, a diretora da revista, Constance Benqué, denunciou "uma prisão contrária a todos os princípios democráticos", que equivale a uma "forma de intimidação". O secretário-geral da Repórteres sem Fronteiras (RSF), Christophe Deloire, manifestou no Twitter que a prisão foi, "obviamente, desproporcional" e faz parte de "um processo legal deplorável".

A entrevista com Takieddine foi publicada pouco após a sua prisão no Líbano no contexto de um processo judicial contra ele. O jornal francês "Libération" evocou em março movimentos de fundos suspeitos que poderiam apontar para possíveis acordos paralelamente à entrevista.

Segundo o portal Mediapart, "esse processo revelou negociações clandestinas com Takieddine para obter a sua retratação no caso da Líbia". Interrogado posteriormente por juízes de instrução franceses em Beirute, o intermediário retomou a primeira versão sobre o financiamento líbio e alegou que a Paris Match distorceu suas palavras. A revista pertence ao grupo Lagardère, cujo conselho fiscal tem Sarkozy entre seus membros.

O ex-presidente foi condenado em março a três anos de prisão, um deles em regime fechado, por corrupção e tráfico de influência, tornando-se o primeiro ex-chefe de Estado francês a ser condenado a uma pena de prisão em regime fechado. Mas ele imediatamente apelou da decisão, suspendendo a execução da sentença.

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