Candidato britânico à OMS expressa interesse global na legalização da maconha

Alejandro Prieto.

Montevidéu, 23 mar (EFE).- O candidato britânico para dirigir a Organização Mundial da Saúde (OMS), David Nabarro, declarou nesta quinta-feira em entrevista à Agência Efe que, se for eleito, o organismo analisará a experiência do Uruguai sobre a legalização da maconha "com grande interesse".

Nabarro, médico com mais de 40 anos de experiência no âmbito internacional da saúde, acrescentou que, apesar de saber que "continua a existir uma controvérsia sobre esse tema", pretende estudar o que ocorreu no Uruguai, país que considera um "exemplo" em matéria de saúde.

"O Uruguai realmente está estabelecendo um exemplo muito bom em políticas de saúde para o povo e isto é visto de diferentes maneiras. Se observarmos os indicadores de saúde em geral deste país, em comparação com a renda da população, são bons", expressou.

De acordo com o britânico, o Uruguai "compreendeu" problemas de saúde futuros como o das doenças relacionadas com o estilo de vida, como o tabagismo, a hipertensão e a obesidade e a contaminação do ar, tema que também se encontra entre os principais a serem abordados caso chegue à liderança da OMS.

"Estes tipos de doença necessitam uma resposta integrada de todo o governo e inclusive de toda a sociedade. O que é maravilhoso é ver o que este governo conseguiu ao ter um enfoque realmente moderno quanto às doenças pelo estilo de vida", disse o especialista em saúde.

"Essa é uma das razões pelas quais eu tinha tanto interesse em vir, pela maneira que o país e seu presidente abordaram os desafios resultantes do tabagismo, isso inspira muito e é algo com o que outros países podem aprender", analisou.

O médico, que está de visita no país sul-americano até a sexta-feira, se reunirá com o ministro da Saúde uruguaio, Jorge Basso, com a vice-ministra da pasta, Cristina Lustenberg, e com o chanceler, Rodolfo Nin Novoa.

"Isso é o que a campanha da OMS faz definitivamente, fortalecer o atendimento primário, e me impressiona como estão fazendo. O Uruguai tem bons exemplos para o restante do mundo", destacou.

A respeito dos desafios que enfrentará caso seja eleito, o britânico expressou que a escassez de recursos é uma realidade a ser levada em conta, já que "todas" as organizações internacionais estão percebendo que os fundos que dispõem são insuficientes para os desafios que buscam resolver.

"Aprendemos com o passar dos anos a ser mais eficientes com o dinheiro que temos e eu, na OMS, vou continuar aumentando a eficiência e tentando conseguir mais com menos", prometeu Nabarro.

O candidato também afirmou que buscou ser transparente sobre a origem do dinheiro que financia a campanha, e disse ser o "único" dos três candidatos que disponibilizou dados sobre os recursos publicamente.

Nabarro comentou que outro desafio importante será estabelecer "mudanças" na maneira que a OMS lida com crise internacionais como os surtos de doenças infecciosas.

"Em 2014, o vírus do ebola afetou a África e a OMS foi acusada de ter respondido lenta e insuficientemente ao surto, o que fez com que milhares de pessoas morressem. Fui chamado nesse ano para melhorar a resposta internacional e depois recomendei maneiras de trabalhar para que esse problema não voltasse a ocorrer", destacou.

Todos os Estados-membros da OMS decidirão na Assembleia Geral da organização, que será realizada de 22 a 31 de maio, o novo diretor-geral da instituição. A pessoa escolhida assumirá o cargo no dia 1º de julho de 2017, em substituição da chinesa Margaret Chan.

O Conselho Executivo da OMS, composto por 34 membros altamente qualificados, elegeu o etíope Tedros Adhanom Ghebreyesus, a paquistanesa Sania Nishtar e o britânico David Nabarro como os três finalistas para assumir a liderança da entidade. EFE