Surfista escapa de PMs no Leme ao remar para o alto-mar e entrar em embarcação; veja o vídeo

Gustavo Goulart
Surfista entra em barco após desobedecer à ordem de PMs para sair do mar

Pelo menos 15 surfistas foram retirados do mar da Praia do Leme por policiais militares na manhã do último domingo. E foram advertidos pelo desrespeito às restrições impostas diante da pandemia do novo coronavirus. Um deles desobedeceu à ordem de sair do mar e tomou uma atitude inusitada, que surpreendeu os PMs na areia. Um vídeo feito pelo especialista em investimentos Rafael Zattar mostra o surfista pegando uma onda diante de dois policiais na areia e depois remando para o fundo. Foi quando apareceu uma embarcação e o levou, fugindo ao cerco da polícia.

 

Zattar postou o vídeo em redes sociais e fez o seguinte comentário:

"O crime perfeito. Isso aqui tá com mais emoção do que La Casa de Papel (série da TV espanhola criada pelo produtor e roteirista Álex Pina). A polícia tira 15 surfistas, mas o último pega sua melhor onda na cara dos policiais e tem um barco de apoio o aguardando. Partiram para a África. James Bond das praias cariocas", ironizou no texto escrito acima do vídeo, que teve quase 9 mil visualizações.

Ao EXTRA, Rafael Zattar, disse que ficou impressionado com a ousadia do surfista e resolveu gravar o vídeo para mostrar a ação da polícia na retirada dos surfistas. Mas disse que o foco deveria ser na tentativa de solucionar problemas crônicos do estado.

- Acredito que a polícia deve, sim, ter o controle dos surfistas e banhistas, mas o foco deveria ser em problemas crônicos pelos quais o Estado tem passado. Gravei o vídeo pois pensei que o surfista iria nadando até a África para fugir dos policiais - comentou.

O diretor executivo da Associação Brasileira de Surf Profissional, Pedro Falcão, diz achar que a prática do esporte deve ser flexibilizada, com respeito ao distanciamento, e usou a aglomeração de pessoas na Lagoa Rodrigo de Freitas e no calçadão das praias como justificativa.

- Apoiamos as determinações do poder público no combate à Covid 19. Mas a partir do momento que liberam o calçadão, poderiam também liberar a prática do surf. Com regras, sem aglomeração. Vemos na Lagoa um número excessivo de pessoas, e não há repressão. Muita gente até tem postado essa situação nas redes sociais... Esse fato isolado do barco não é uma prática. E não é intenção do surfista ser visto como marginal. Essa imagem ficou para trás. A AGU já se colocou a favor da prática do surfe. Alguns municípios do Brasil também liberaram. É uma questão a ser considerada - disse ele.

Ex-presidente da Associação Mundial de Surf, da Confederação Brasileira de Surf, da Federação de Surf do Rio de Janeiro e atualmente presidente da Associação de Surf da Barra da Tijuca, Milton Waksman repudiou a atitude dos atletas. Ele tem hoje 60 anos e seus pais já tem mais de 80 e, por isso, tem respeitado o isolamento social e sugerido em redes sociais que os surfistas fiquem em casa.

- Tenho postado em redes sociais a necessidade do isolamento social. Os jovens surfistas podem ser assintomáticos. Mas quando vão às ruas, se contraírem o vírus e voltarem para casa, vão passar para os seus pais. A gente só tem a ideia da gravidade do problema quando alguma coisa de ruim acontece próximo a nós. Domingo um amigo meu de 63 anos morreu no hospital particular por Covid-19. Ontem, um amigo dos meus pais de 78 anos faleceu também numa clínica particular. É preciso respeitar as determinações em postas e esperar que isso passe para depois poder se exercitar no mar - orientou Waksman.

Por meio de nota, a Polícia Militar destacou que orienta a população a respeitar o decreto estadual de isolamento social, mas que há casos que extrapolam a capacidade operacional.

“A Assessoria de Imprensa da Secretaria de Estado de Polícia Militar informa que o policiamento ostensivo na orla está trabalhando desde o início do isolamento social e sanitário seguindo os decretos estaduais editados desde então, estando o 47.027 de 13 de abril de 2020 atualmente em vigor. Diante de uma situação de descumprimento, os policiais militares nas areias tentam verbalizar e alertar os cidadãos. Cabe destacar que as equipes atuam com os recursos operacionais disponíveis, mas há fatos que extrapolam a capacidade operacional."

Por meio de nota, a Marinha do Brasil informou que suas atribuições e competências se referem à segurança da navegação, à proteção da vida humana no mar e à prevenção à poluição ambiental. Confira a íntegra abaixo:

"A Marinha do Brasil (MB), por intermédio do Comando do 1º Distrito Naval (Com1oDN), esclarece que a Capitania dos Portos do Rio de Janeiro (CPRJ) atua nas águas interiores e no litoral do Estado do Rio de Janeiro, conforme preceitua a Lei 9.537/1997 (LESTA) e o seu regulamento, Dec. 2.596/1998 (RLESTA). As atribuições e competências da Autoridade Marítima brasileira se referem, exclusivamente, à segurança da navegação, à proteção da vida humana no mar e à prevenção à poluição ambiental. A CPRJ realiza inspeções navais diárias em embarcações, com o intuito de proporcionar a segurança do tráfego aquaviário em conformidade com as determinações estabelecidas pelos poderes públicos Municipal e Estadual, não havendo, até o momento, restrições à navegação de embarcações particulares", diz a nota.