Surfista de ondas grandes vira réu por morte de militar em batida

Paolla Serra
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O Tribunal de Justiça do Rio aceitou a denúncia do Ministério Público contra o surfista de ondas grandes Felipe Cesarano pela morte do sargento da Marinha Diogo da Silva. O jovem passa então a ser réu no processo por homicídio culposo, com o agravante de estar dirigindo alcoolizado no momento em que colidiu de frente com o veículo do militar, na Autoestrada Lagoa-Barra, em São Conrado, em 16 de dezembro do ano passado.

Na decisão, a juíza Simone de Faria Ferraz, da 23ª Vara Criminal, cita justamente o Laudo de Exame de Alcoolemia como um dos elementos que “conferem a justa causa necessária para o recebimento da denúncia”. O documento, ao qual o Extra teve acesso, mostra que Gordo riu durante o exame pericial, apresentou fala confusa e repetitiva e não conseguiu “realizar as manobras neurológicas de forma adequada”. Em seu carro, foram apreendidas quatro garrafas de cerveja.

O relatório final das investigações do caso, feito pela 15ª DP (Gávea), aponta que o surfista foi a uma festa de aniversário de um amigo, na noite do dia 15. Após a comemoração, ele seguiu para a boate Vitrini, na Barra da Tijuca. No local, pagou R$ 819,90 pela comanda que apresenta consumo de vodka e energético, às 5h18.

Segundo depoimentos de amigos do jovem, ele deixou a casa noturna sozinho, sem avisá-los. Imagens de câmeras de segurança mostram Gordo saindo “visivelmente embriagado e com o andar cambaleante”. De lá até o local do acidente, ele percorreu oito quilômetros.

As investigações mostraram ainda que o surfista estava com o direito de dirigir suspenso desde 20 de março de 2016, tendo recebido 124 multas nos últimos cinco anos, sendo 88 delas por excesso de velocidade.

Já o Laudo de Exame de Local de Acidente de Trânsito, produzido pelo Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE), constatou que o surfista trafegava a 123km/h, sendo 80km/h a velocidade permitida na via. Momentos antes da batida, ele chegou a atingir 144km/h.

Titular da 15ª DP, o delegado Daniel Rosa chegou a indiciar Gordo por homicídio doloso.

— Diante de todos os elementos de prova, concluímos que ele não só assumiu o risco de matar Diego, como também não se importou com a possível ocorrência desse resultado — explicou, na ocasião.

Em nota, as advogadas Elizabeth Medeiros e Rayra Vianna informaram que “no processo, mediante os princípios da ampla defesa e do contraditório, todos os fatos serão esclarecidos e a defesa dele devidamente realizada”.