Surfista que matou sargento da Marinha mostra indiferença à tragédia e está preso em Bangu sem fiança

Marjoriê Cristine e Rafael Nascimento de Souza
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Foto: Reprodução / Instagram

Com deboche e indiferença, o surfista Felipe Cesarano realizou um exame de alcoolemia no Instituto Médico Legal (IML), no Centro do Rio de Janeiro, que apontou embriaguez após ele colidir e matar o sargento da Marinha Diogo da Silva, de 36, nesta quarta-feira, dia 16, na Zona Sul. Segundo o delegado Daniel Rosa, titular da 15ªDP (Gávea) que investiga o caso, o atleta especialista em ondas grandes, conhecido como "Gordo", não demonstrou qualquer compaixão pela vida do militar, que servia no Navio de Desembarque de Carros de Combate (NDCC) e estava em serviço no momento o acidente. Cesarano foi preso em flagrante por homicídio culposo provocado por embriaguez ao volante e levado para o presídio de Bangu. Como a legislação de trânsito do Brasil foi modificada, ele não poderá sair sob fiança.

— Foi feito o teste de alcoolemia no Instituto Médico-Legal, que testou positivo. Ele fez exame clínico sem sangue. Os peritos constataram que ele estava bêbado. Mas na realização da perícia, ele riu durante a elaboração do laudo. Ainda se mostrou indiferente ao resultado e à tragédia que aconteceu, o que traz para nós uma certa surpresa pela falta de humanidade diante desse fato — diz Rosa, antes de completar:

— Foi preso em flagrante e se encontra custodiado em Bangu, sem direito a fiança após a mudança na lei de trânsito

Em 2018, o artigo 302 do Código de Trânsito Brasileiro (praticar homicídio culposo na direção de veículo automotor) foi a Lei 13.546 alterado. Na nova mudança, se o motorista mata ao conduzir veículo sob influência de álcool ou outra substância psicoativa, ele está sujeito a reclusão, de cinco a oito anos, e suspensão ou proibição do direito de obter permissão ou habilitação. Com isso, o infrator não tem direito a liberdade sob fiança e o regime fechado de prisão pode ser adotado inicialmente. Esse foi o caso de Felipe Cesarano.

Polícia busca câmeras de segurança

A polícia terá dez dias para investigar as circunstâncias do caso. Os agentes já buscam câmeras de segurança que mostram o momento da colisão e o onde o surfista estava antes de bater e matar o sargento da Marinha. Testemunhas ainda serão ouvidas na 15ªDP. Ainda durante as investigações, será apurado se houve a prática de algum outro crime. Durante o depoimento, ele afirmou que não se lembrava o quanto havia consumido de álcool naquele dia.

— Ele disse que não lembrava, mas afirmou que tomou umas cervejas — diz Rosa.

Cesarano estava sozinho dentro do seu carro, no sentido Zona Sul da Autoestrada Lagoa-Barra, quando perdeu o controle do veículo, subiu no separador, invadiu a pista contrária e bateu de frente com o carro de Diogo da Silva. A polícia quer entender a dinâmica e todo o trajeto percorrido pelo surfista antes de o acidente fatal.

— Se ele estava bebendo antes, onde ele estava, se havia alguma festa anterior, se estava com amigos, tudo isso vai ser desenvolvido ao longo desses dez dias que restam para investigação. Ele estava sozinho no carro. Mas como estava embriagado, acreditamos que tenha dormido ou se distraído. Alguma coisa aconteceu com a razão do consumo de bebida, perdeu o reflexo e veio a colidir com essa vítima, o Sargento da Marinha, de forma trágica — afirma o delegado.