Suspeita de golpe na USP enganou lotérica e recebeu auxílio emergencial

Estudante de medicina que teria dado golpe de quase R$ 1 mi em colegas é alvo de pedido de indenização de lotérica

Golpe na USP: aluna de Medicina foi acusada por colegas de desviar cerca de R$ 1 milhão da festa de formatura. (Foto: Reprodução?XXXX)
Golpe na USP: aluna de Medicina foi acusada por colegas de desviar cerca de R$ 1 milhão da festa de formatura. (Foto: Reprodução)
  • Em suposto golpe, estudante do curso de medicina teria usado, sem autorização, recursos levantados para a festa de formatura da turma de Medicina da USP;

  • Valor de quase R$ 1 milhão é fruto de pagamento de 110 alunos;

  • Além de suposto golpe em colegas da USP, estudante é investigada por fazer apostas de grandes valores em lotérica e não pagar.

Além da suspeita de aplicar golpe em alunos de Medicina da USP, a estudante de medicina da Universidade de São Paulo Alicia Dudy Muller Veiga, de 25 anos, é alvo de um pedido de indenização por danos materiais de uma lotérica da Zona Sul de São Paulo.

Ela teria causado prejuízo de R$ 192,9 mil ao estabelecimento em apostas não pagas em 2022. Por conta disso, a polícia pediu a quebra do sigilo bancário da aluna.

O nome de Alicia ficou conhecido após ela ser apontada como suspeita de desviar quase R$ 1 milhão que seria usado para pagar a festa de formatura de alunos da USP. A aluna diz ter sido vítima de golpe aplicado por uma financiadora, onde teria investido parte do dinheiro.

No caso da lotérica, além do pedido de indenização, ela é alvo de uma investigação por estelionato e lavagem de dinheiro.

De acordo com o Portal da Transparência, Alicia recebeu cinco parcelas do Auxílio Emergencial entre junho e novembro de 2020, totalizando R$ 3 mil. O valor não foi devolvido à União.

Confira as acusações contra a estudante da USP acusada de dar golpe:

Apostas não pagas na lotérica

De acordo com inquérito da Polícia Civil, em abril de 2022, Alicia fez quase R$ 20 mil em apostas na Lotofácil, com valores pagos via PIX.

Depois, ela continuou a fazer apostas em grandes valores, totalizando R$ 461 mil;

Em julho do mesmo ano, ela teria solicitado R$ 891,5 mil em apostas; Todavia, depois que a operadora registrou R$ 193,8 mil em apostas, a gerente da lotérica questionou sobre o pagamento, e a suspeita disse que foi realizado um agendamento;

Contudo, a transferência realizada pela aluna era muito inferior, de R$ 891,53. Houve uma breve discussão e Alicia saiu da lotérica com cinco apostas no valor de R$ 38,7 mil cada.

Assim, a lotérica pede o bloqueio do valor na conta da estudante para evitar que ela 'esvazie a conta' e 'não compareça nos autos'.

Entre abril e julho de 2022, ela ganhou sete vezes na loteria.

Documentos do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) apresentados à Polícia Civil mostram que Alicia gastou ao menos R$ 397.290 em apostas em uma mesma lotérica de São Bernardo do Campo (Grande SP). Essas apostas resultaram no ganho de prêmios que somam R$ 366.614,98.

Sumiço de quase R$ 1 milhão de festa de formatura de Medicina

De acordo com o boletim de ocorrência do caso, cujo portal G1 obteve acesso, Alicia solicitou à empresa ÁS Formaturas, responsável pela organização da festa, a transferência do valor levantado pelos alunos: R$ 927 mil.

  • O repasse foi feito em três parcelas: uma de R$ 604 mil, transferidos para uma conta pessoal em nome da estudante;

  • Outra parcela de R$ 145 mil, destinada a beneficiário não identificado;

  • E uma terceira fatia do montante, no valor de R$ 171 mil, também transferidos para uma conta em que o beneficiário não foi identificado.

A ÁS produções declarou, por nota, não ser responsável pela organização do evento, como foi informado à polícia. A empresa teria apenas que arrecadar os valores e depois transferir para a turma, além de realizar a cobertura fotográfica do evento.

O Procon-SP notificou a empresa Ás Formaturas pedindo informações sobre "quem autorizou a transferência dos valores e quais os critérios estabelecidos para movimentação de dinheiro entre a ÁS Formaturas e qualquer membro da comissão de formandos ou terceiros". O prazo para o envio das explicações é quinta-feira (19).

Alicia disse ter aplicado $ 800 mil em uma corretora de investimentos, a Sentinel Bank, que segundo informações do G1, é uma financiadora investigada por fazer parte de um golpe falso de investimentos na Bolsa de Valores.

Por WhatsApp, ela disse aos colegas que teria aplicado o dinheiro e sido vítima de um golpe. Outra parte do montante teria sido usado, segundo Alicia, para pagar advogados no caso do suposto golpe.

"Escrevo para dizer que não temos dinheiro. Com toda dor, culpa e arrependimento que vocês podem imaginar. (...) Nosso dinheiro foi todo repassado para a Sentinel Bank, uma investidora que, no fim das contas, não se passava de um grande golpe e nunca mais retornou nem com o dinheiro investido, nem com os rendimentos", escreve ela em um print que viralizou na web.

Uma das vítimas registrou o caso na delegacia no dia 10 de janeiro e Alicia é investigada por apropriação indébita.

Em nota, a comissão de formatura alega que a retirada do dinheiro ocorreu "sem o conhecimento e consentimento de qualquer outro membro da comissão". O texto aponta que 110 alunos teriam sido vítimas da conduta de Alicia.

A família aponta que Alícia foi vítima de um golpe, que está triste e abalada com a situação. A mãe da jovem também afirmou que a filha contou o mesmo relato de fraude para ela e que quer concluir o curso de medicina.