Suspeita em compra de respiradores derruba segundo secretário em SC

RI RIO DE JANEIRO 08/05/2020 Monitores Multiparâmetros e respiradores que chegaram da China para equipar o Hospital de campanha do Riocentro em Jacarepaguá zona oeste do Rio. Foto Fabio Motta/Agência O Globo.

SÃO PAULO. As investigações sobre supostas irregularidades na compra de respiradores para iso nos casos de COVID-19 causou a segunda baixa no governo de Santa Catarina: neste domingo Douglas Borba pediu exoneração da Casa Civil do governo de Carlos Moisés (PSL). No mês passado, Helton Zeferino largou o cargo de secretário de Saúde em meio às investigações.

Em nota publicada pela Casa Civil do Estado, Borba afirmou que tomou a decisão (da exoneração) “após uma longa conversa com o governador Carlos Moisés na manhã deste domingo”, e que seguirá “colaborando espontaneamente” com as investigações. Ele já foi intimado e depôs à Polícia Civil de Santa catarina.

“Ele (Borba) também reforça que sua saída visa evitar prejuízos à imagem do Governo, que lamentavelmente passa por instabilidade política em meio a uma pandemia mundial com desafios de saúde pública sem precedentes, quando a prioridade máxima da Administração Pública Estadual está voltada a salvar e proteger vidas”, afirmou a nota da secretaria.

Segundo o G1, a decisão de Borba ocorre no dia seguinte às investigações terem chegado à sua secretaria. No sábado a Polícia Civil realizou a “Operação O2”, e recolheu documentos no órgão e Borba prestou um depoimento por cerca de duas horas. A operação cumpriu 35 mandados de busca e apreensão em Santa Catarina, Rio de janeiro, São Paulo e Mato Grosso.

A investigação segue em segredo de Justiça, mas a acusação é de que, em março, Borba teria indicado a empresa carioca Veigamed para comprar os respiradores, mesmo a ela não tendo experiência neste tipo de equipamento. O pagamento dos R$ 33 milhões foram antecipados, mas até o momento os 200 respiradores não foram entregues, mesmo tendo passado o prazo para a entrega - começo de abril.

No sábado, o diretor-geral da Polícia Civil de Santa Catarina, Paulo Koerich, afirmou em entrevista coletiva que foram apreendidos R$ 300 mil em espécie no Rio de Janeiro, em um dos alvos da operação, insumos hospitalares e que houve sequestro cautelar de R$ 11 milhões de uma conta bancária.

Segundo o G1, a empresa nega as acusações e esclarece que conta com apenas um depósito, em Nilópolis (RJ). "Na manhã deste sábado, houve uma operação de busca e apreensão no local, com apreensão de todo o estoque de medicamentos para averiguação. A empresa esclarece ainda que não é proprietária de depósito em Vargem Pequena, como noticiado", afirmou em nota enviado ao site.

Outros estados enfrentam denúncias de irregularidades nas compras de equipamentos e produtos relacionados à pandemia. Na semanada passada, a Operação “Mercadores do Caos”, do Ministério Público do Rio,levou à prisão o ex-subsecretário estadual de Saúde Gabriell Neves. Roraima e Amazonas possuem investigações semelhantes.