Suspeita de matar meio-irmão de Kim Jong Un pensou atuar em pegadinha

A indonésia Siti Aisyah (D) é acompanhada pela polícia malaia durante apresentação à corte em Shah Alam, arredores de Kuala Lumpur

A indonésia Siti Aisyah, acusada de assassinar Kim Jong Nam, meio-irmão do líder norte-coreano Kim Jong Un, foi contratada por um suposto agente da Pyongyang para participar de várias "pegadinhas" semanas antes do assassinato, informou seu advogado em uma audiência nesta sexta-feira (9).

A indonésia Siti Aisyah e a vietinamita Thi Huong comparecem há quatro meses na Alta Corte de Shah Alam, distrito na periferia de Kuala Lumpur, perto do aeroporto internacional onde Kim Jong Nam foi morto em 13 de fevereiro de 2017.

Os advogados de defesa afirmaram que as mulheres foram contratadas para participar no que elas acreditavam ser brincadeiras para programas de TV, mas foram usadas para cometer um assassinato em um elaborado plano de agentes norte-coreanos.

"O importante da evidência apresentada é que dizemos à corte como esta mulher foi enganada para fazer brincadeiras e persuadida a ir ao aeroporto em 13 de fevereiro", disse o advogado Gooi Soon Seng aos jornalistas, após apresentar testemunhos e mensagens de texto na audiência.

As duas mulheres atiraram no rosto de Kim um agente neurotóxico, o VX, uma versão altamente letal do gás sarin. Elas foram detidas dias depois.

Kim Jong Nam, muito crítico ao seu meio-irmão, vivia no exílio quando foi envenenado em uma operação que fez lembrar os assassinatos por encomenda durante a Guerra Fria.

Ao retomar o julgamento nesta sexta-feira, o oficial membro da investigação, Wan Azirul Nizam, disse que Siti havia declarado à Polícia que Ri Ji U, um norte-coerano que se apresentou como um japonês chamado James, ofereceu-lhe direito para fazer várias brincadeiras.

Informes da imprensa descrevem Ri como o mais jovem de oito norte-coreanos, supostos cúmplices no caso, procurados pela polícia malaia.

Gooi, que representa Siti, disse à Justiça que tinham prometido à sua cliente viajar ao Japão e aos Estados Unidos se sua atuação fosse realista.

O advogado informou que foram realizadas várias "câmeras ocultas" nas semanas anteriores ao assassinato no shopping center, em hotéis e aeroporto, sem dar detalhes sobre o tipo de brincadeiras. Ela teria recebido 1.000 dólares por sua atuação.

O advogado disse, ainda, na corte que Siti publicou em sua conta no Facebook um vídeo do tal "James" depois de uma "câmera oculta" no aeroporto em 6 de janeiro do ano passado.

"Com sorte poderei ir ao Japão no mês que vem, bom trabalho", publicou Siti em sua página, segundo Gooi.

A publicação prova, segundo seu advogado, que sua cliente realmente achava que participava de um programa de televisão.