Suspeito de abusar atletas de basquete afirmava ser policial para intimidá-los, dizem jovens

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A Polícia Civil já ouviu relatos de cinco jovens que teriam sido vítimas de abusos sexuais cometidos por um técnico de basquete de um instituto na Abolição, na Zona Norte do Rio. Segundo os denunciantes, Hamilton Lemos de Oliveira os recrutava em diversos estados com a promessa de ajudar a ingressarem em times profissionais no Rio de Janeiro e depois ameaçava prejudicá-los se não cumprissem suas exigências sexuais. Além de avisar que boicotaria seus sonhos, Hamilton afirmava ainda ser um policial, que já matou muitos bandidos, para amedrontá-los.

A Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (DCAV) prendeu Hamilton no sábado. Contra o técnico foi cumprido um mandado de prisão temporária.

— Ele sempre pôs também medo em nós. De uma certa maneira, ele impôs o respeito através do medo. Ele sempre disse que estava na nossa cola, estava olhando em nós. Extorquindo a gente por dinheiro também — contou um jovem.

Os demais depoentes confirmaram a estratégia e afirmaram ainda que a comida no alojamento na Abolição era racionada: arroz, macarrão, salsicha e frango. E muitos atletas teriam chegado a aparentar subnutrição. Uma das vítimas relatou que já foi abusado mais de 20 vezes por Hamilton.

— Agora a gente vai tentar colher mais elementos nos aparelhos celulares, computadores e demais elementos de prova, para provar efetivamente que ele estuprava seus alunos. Há notícias de mais de 30 vítimas — indica o delegado Adriano França.

Hamilton foi preso quando estava em um clube na Ilha do Governador, na Zona Norte do Rio, no local usado para treinar os atletas. De acordo com a polícia civil, o homem também é suspeito de constranger os adolescentes, de praticar maus-tratos e de armazenar vídeos pornográficos dos abusos sexuais cometidos por ele. Ao menos cinco vítimas foram identificadas e prestaram depoimentos.

Para atrair as crianças, o homem recrutava atletas de baixa renda em outros estados com promessas de carreira de sucesso em grandes clubes, mas ficava com a documentação dos atletas, e assim, eles não conseguiam voltar para suas casas ou buscar outros clubes. O técnico, que se passava por policial, ainda ameaçava as vítimas para que elas não falassem sobre os abusos cometidos por ele. Os crimes aconteciam no alojamento em que ele vivia com as crianças, no bairro Abolição, na Zona Norte do Rio. O celular do homem foi apreendido e vai ser encaminhado para perícia.

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