Suspeito-chave de corrupção no Parlamento Europeu firma acordo de cooperação judicial

O ex-eurodeputado italiano Pier Antonio Panzeri, um suspeito-chave no escândalo de corrupção conhecido como "Catargate", firmou um acordo de colaboração premiada com a Justiça, anunciou o Ministério Público da Bélgica nesta terça-feira (17).

O acordo refere-se ao compromisso pelo qual um arrependido oferece testemunho "substancial, revelador, verdadeiro e completo sobre a participação de terceiros e, em seu caso, a sua própria, em crimes dentro do âmbito coberto no caso", assinalou o MP.

Por esse acordo de cooperação, Panzeri deverá oferecer informações sobre o modus operandi e os "arranjos financeiros com outros países envolvidos", assim como as estruturas financeiras utilizadas.

Panzeri também comprometeu-se a oferecer informações sobre a "participação de pessoas conhecidas e desconhecidas na investigação, inclusive a identidade das pessoas que ele admite ter subornado".

Com o estabelecimento do acordo, Panzeri poderá se beneficiar de uma "sentença limitada".

Essa sentença incluirá pena de prisão, multa e confisco "dos bens obtidos, atualmente estimados em 1 milhão de euros".

Quanto à pena de prisão, seu advogado Laurent Kennes explicou à AFP que esta não será superior a um ano, e que parte deste período será cumprido fora da penitenciária, com tornozeleira eletrônica.

O escândalo resultou na prisão da influente eurodeputada grega Eva Kaili, que ocupava uma das 14 vice-presidências do Parlamento Europeu, além de Panzeri e outras duas pessoas.

O caso se concentra em indícios de pagamentos a legisladores europeus para favorecer os interesses do Catar no Parlamento Europeu, embora também se multipliquem as denúncias de participação do Marrocos nessas ações.

Catar e Marrocos, por sua vez, negam com firmeza essas alegações.

O escândalo abalou profundamente o Parlamento Europeu, que destituiu Kaili de suas responsabilidades na vice-presidência. A pessoa encarregada de substitui-la no cargo será designada na quarta-feira.

Depois de concluir seu último mandato como eurodeputado, Panzeri estabeleceu-se em Bruxelas à frente da ONG que fundou em 2019, "Fight Impunity".

O dirigente sindical italiano Luca Visentini reconheceu ter recebido da Fight Impunity uma doação em dinheiro de aproximadamente 50.000 euros, mas garantiu que não estava vinculado a nenhuma tentativa de corrupção ou de tráfico de influência em benefício do Catar.

Os envolvidos no caso foram acusados pela Justiça belga de "pertencerem a uma organização criminosa", lavagem de dinheiro e corrupção.

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