Suspeito de matar Marielle comprou armas do exterior por e-mail

Peças de fuzis chegavam pelos Correios e eram adquiridos por e-mail, segundo investigadores. (Foto: Divulgação/Polícia Civil do Rio)

O sargento reformado da Polícia Militar do Rio Ronnie Lessa, preso acusado de matar a vereadora Marielle Franco (PSOL) e o motorista Anderson Gomes em março de 2018, comprou armas de vários países por e-mail.

As informações são do jornal O Globo.

As armas chegavam desmontadas pelos Correio, conforme o conteúdo de e-mails enviados por Lessa que fazem parte do inquérito que investiga o caso. Para a Polícia Civil e o Ministério Público do Rio, há indícios de que ele é traficante de armas.

As investigações, segundo O Globo, apontam que Lessa fornecia como endereço de entrega a casa onde morava e foi preso, na última terça-feira (12), no condomínio Vivendas da Barra, na Zona Oeste do Rio. Ele também usava um endereço nos Estados Unidos, utilizado quando viajava para o país. Lessa, de acordo com as investigações, tinha mais de dez armas registradas em seu nome.

117 FUZIS

No mandado de busca e apreensão em um dos endereços ligados ao sargento, agentes da DH (Delegacia de Homicídios) e do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) encontraram 117 fuzis incompletos, do modelo M-16. O armamento estava na casa de um amigo do policial militar, no Méier, na Zona Norte do Rio, desmontadas em caixas e escondidas em um guarda-roupas.

O dono da casa, Alexandre Mota de Souza, foi preso sob a suspeita de tráfico de armas. A polícia chegou ao endereço após rastrear bens do policial que estariam em nome de Alexandre. Ele diz que não sabia o que havia dentro das caixas, que teriam sido mantidas lacradas após pedido do amigo de infância. Esta apreensão de fuzis é considerada a maior da história do Rio.

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Lessa foi preso enquanto tentava fugir de casa, às 4h da manhã de terça-feira, quando foi deflagrada a Operação Lume. O sargento estava com três celulares, todos em “modo avião”, sem acesso à rede de telefonia ou à internet. Além dele, o ex-policial militar expulso da corporação Élcio Vieira de Queiroz foi preso acusado de ser o motorista do Cobalt prata usado na execução da vereadora.

Durante a operação, os investigadores também encontraram R$ 112 mil reais em espécie. Deste total, R$ 50 mil foram localizados na casa dos pais de Lessa e R$ 62 mil no próprio carro do PM.

ALVO E ‘BOA MIRA’

A polícia também localizou um alvo balístico na forma de uma silhueta humana, usado para treinamento de atiradores, com mais de 50 marcas de tiro. Grandes buracos na área central do alvo indicam que a maior parte dos disparos atingiu ali. O nome “Mohana”, escrito no alvo balístico, é o mesmo da filha de Lessa.

Alvo encontrado na casa de Lessa com as marcas de disparo centralizadas, indicando boa pontaria. (Foto: Reprodução)