Suspeito de incendiar Parlamento sul-africano é acusado de terrorismo

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O Parlamento em 3 de janeiro durante incêndio (AFP/RODGER BOSCH)

O homem suspeito de estar por trás do incêndio que devastou o Parlamento sul-africano no início de janeiro na Cidade do Cabo foi acusado de "terrorismo", nesta terça-feira (11), e deve passar por uma avaliação psiquiátrica após um diagnóstico inicial de esquizofrenia.

Zandile Christmas Mafe, de 49 anos, chegou à audiência com a cabeça raspada e terno preto.

Apresentado como sem-teto, Mafe foi detido na manhã de 2 de janeiro, poucas horas após o início do incêndio, no recinto do Parlamento. Foi acusado três dias depois.

O suspeito "é culpado" de ter violado uma lei de "proteção da democracia constitucional contra o terrorismo", segundo a acusação consultada pela AFP.

O porta-voz do Ministério Público, Eric Ntabazalila, disse à imprensa que "o acusado detonou um artefato no Parlamento", sem especificar de que natureza.

Na audiência, o MP informou que essa acusação adicional foi incluída na véspera, depois que os investigadores assistiram aos vídeos das câmeras de vigilância.

O homem já havia sido acusado de ter entrado por "arrombamento" no edifício, de ter "incendiado os prédios do Parlamento" e de ter roubado "laptops, pratos e documentos".

Desde sua prisão, muitas vozes se levantaram para apresentá-lo como bode expiatório, enfatizando as brechas de segurança e a falha do sistema contra incêndio.

Dezenas de manifestantes, incluindo vários sem-teto, protestaram em frente ao tribunal.

Um homem contou suas lembranças da noite anterior ao incêndio. Ele dormia em uma rua ao lado do Parlamento e ouviu um barulho. Imaginou se tratar de uma colisão entre carros e adormeceu novamente, até ver a fumaça e perceber que o Parlamento estava em chamas.

No tribunal, seu advogado de defesa, Dali Mpofu, disse que Mafe foi avaliado em 3 de janeiro e diagnosticado com "esquizofrenia paranoica". Em função disse, insistiu em que a liberdade condicional de seu cliente seja examinada.

Um dos advogados mais famosos do país, com uma lista de clientes de alto perfil que inclui o ex-presidente Jacob Zuma, Mpofu se recusou a informar à AFP se representa o acusado gratuitamente.

O MP respondeu que seria uma "perda de tempo", pedindo 30 dias de observação para avaliar o estado psicológico do acusado. O juiz decidiu nesse sentido, alegando ter "as mãos atadas": para examinar seu destino é necessário saber se o acusado estará "apto para ser julgado".

De acordo com os primeiros elementos da investigação divulgados pelas autoridades, o sistema de detecção de incêndio estava "com defeito", e "o sistema de sprinklers não funcionou". Este sistema havia sido revisado pela última vez em 2017, e uma inspeção programada para fevereiro de 2020 não foi realizada.

As câmeras de vigilância mostraram Zandile Mafe no prédio por volta das 2h. "Mas os seguranças viram-no apenas por volta das 6h, quando olharam para as telas, alertados pela fumaça", disse à AFP a ministra de Obras Públicas, Patricia De Lille.

"As câmeras funcionaram. O problema é que ninguém estava olhava para elas naquela noite fatídica", afirmou, referindo-se a "uma falha na segurança".

Os bombeiros sul-africanos lutaram por mais de 48 horas até conseguirem dominar o fogo completamente. O incêndio não deixou vítimas, mas devastou um dos edifícios mais emblemáticos da democracia sul-africana.

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