Suspeito de integrar PCC e torturar usuários na cracolândia é preso em SP

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Um homem suspeito de integrar a facção PCC e de torturar dependentes químicos na cracolândia foi preso nesta quarta-feira (14) durante uma operação das secretarias de Justiça e Cidadania e de Segurança Pública de São Paulo.

Apontado pela polícia como traficante, Alexandro dos Anjos Ferreira, conhecido como Veiote, era procurado desde o dia 31 de agosto, após um dependente químico dar entrada no pronto-socorro da Santa Casa de Misericórdia, no centro de São Paulo, com uma fratura no braço esquerdo e ferimento na cabeça.

Segundo a Secretaria de Justiça, o suspeito não tem advogado.

A vítima, cuja identidade foi preservada, diz ter sido torturada após ter sido acusada pelos criminosos de ter roubado crack de outro traficante, conhecido como Bahia. Além das agressões, os traficantes roubaram R$ 80 do rapaz.

A megaoperação envolveu mais de mil policiais, incluindo civis e militares, além de agentes do Decap (Departamento de Polícia Judiciária da Capital), Rota, Força Tática da PM, Baep (Batalhão de Ações Especiais de Polícia) e GCM (Guarda Civil Metropolitana).

Segundo o secretário de Justiça e Cidadania, Fernando José da Costa, mais de 50 mandados de prisão e de internação de menores infratores estavam sendo cumpridos. Até as 9h desta quarta, pelo menos 30 pessoas haviam sido presas ou recolhidas. Também foi presa a traficante conhecida como Arlequina, cujo nome não foi divulgado.

"A grande característica dessa operação é a prisão de maiores de idade e o recolhimento de menores infratores. Tivemos um caso de um menor infrator com internação decretada pela Justiça por roubo, ele foi preso hoje, em flagrante, por tráfico de drogas. Agora é maior de idade e responderá pelo tráfico e cumprirá medidas socioeducativas relacionadas ao roubo", disse.

Em maio deste ano, o governo estadual em conjunto com a Prefeitura de São Paulo deflagrou uma megaoperação combater o tráfico de drogas no centro da cidade. Na ocasião, a cracolândia funcionava na praça Princesa Isabel, no centro da cidade.

Com a operação, o fluxo deixou a praça Princesa Isabel e se mudou para um novo endereço, a rua Helvétia, na altura do cruzamento com a avenida São João, a cerca de 700 metros da praça.

Em entrevista coletiva em 9 de setembro, o delegado-geral da Polícia Civil, Osvaldo Nico Gonçalves, disse que nos últimos três meses mais de 130 traficantes foram presos em desdobramentos da operação Caronte.