Suspeito de matar eleitor de Lula em Belo Horizonte tinha licença de CAC

BELO HORIZONTE, MG (FOLHAPRESS) - O homem preso por suspeita de matar o comerciário Pedro Henrique Dias Soares, 28, eleitor de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), na noite do último domingo (30) em Belo Horizonte, disse à polícia ter registro de CAC (caçador, atirador e colecionador).

O porte de armas para esse grupo estava proibido por norma do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) no dia da votação, assim como na véspera e nas 24 horas seguintes.

O atirador, que não teve o nome divulgado, portava duas pistolas quando foi encontrado pelos policiais em um matagal, onde tentou se esconder. Contou ainda que tinha um rifle em casa.

Conforme relatos de amigos e parentes da vítima, o crime ocorreu quando Pedro Henrique comemorava a vitória de Lula contra o atual presidente Jair Bolsonaro (PL) em uma garagem onde costumavam se reunir no bairro Nova Cintra, região oeste da capital mineira.

Duas mulheres também foram atingidas e encaminhadas para o hospital. Antes de chegar à garagem, o homem havia passado em um ponto próximo e, conforme afirmou à polícia, atirou a esmo, atingindo outra mulher e uma menina de 12 anos, que também não correm risco de morrer.

Após a prisão do suspeito, a polícia foi até sua residência e apreendeu o documento, além dos armamentos.

Uma amiga de Pedro Henrique, que pediu para não ter o nome divulgado, disse ter ouvido de parentes da vítima, que, no momento dos disparos, havia uma comemoração pela vitória do Lula na garagem.

Ela conta que também havia bolsonaristas no grupo e que Pedro Henrique nunca gostou de discutir sobre política. Segundo a amiga, o rapaz não tinha filiação partidária e era uma pessoa de esquerda que se posicionava sem fazer inimizades.

Um exemplo disso, relata, é que dias antes da eleição Pedro Henrique tirou uma foto com outra amiga, apoiadora do atual presidente, que fazia o número de urna de Bolsonaro. E colocou como comentário: "Inimigos, jamais".

A amiga que conversou com a Folha afirma que Pedro Henrique estava com um adesivo de Lula no momento da comemoração, e que o homem, conforme relatos que ouviu de familiares, não teria dito nada ao abrir fogo contra o grupo.

O comerciário chegou a ser levado para o hospital, mas não resistiu.

No país, o número de armas de fogo nas mãos dos CACs chegou a 1 milhão em julho deste ano. Essas categorias têm sido as mais beneficiadas por normas editadas na gestão Bolsonaro que facilitaram o armamento da população.

O crescimento foi de 187% em relação a 2018, antes do atual governo, segundo dados do Exército obtidos via LAI (Lei de Acesso à Informação) pelos institutos Sou da Paz e Igarapé.

O porte de arma concedido pelo Exército ao CAC permite o transporte apenas no trajeto de casa, ou local de guarda, até o local de treinamento, como clube de tiro.