Suspeito por massacre em boate LGBTQIA+ é não-binário e tem passado complexo

Advogados do jovem suspeito de matar cinco pessoas em uma boate LGBTQIA+ do Colorado, nos Estados Unidos, disseram que seu cliente é não-binário, antes de uma primeira aparição perante o tribunal nesta quarta-feira (23), enquanto surgiam detalhes sobre um passado caótico.

Cinco mortos e 18 feridos foram o resultado de um ataque a tiros no sábado no Club Q em Colorado Springs, uma pacata cidade americana. O massacre só teve fim quando um veterano do Exército puxou a arma do agressor, que foi preso.

Em uma audiência por videoconferência, Anderson Lee Aldrich, de 22 anos, permaneceu sentado, vestido com seu uniforme laranja da prisão. O suspeito falou apenas para confirmar seu nome e que havia sido informado de seus direitos. Nenhuma acusação ou moção foi apresentada.

Aldrich estava acompanhado por dois defensores públicos, que disseram em documentos judiciais apresentados na terça-feira que seu cliente se identifica como não-binário e usa os pronomes “they/them”, considerados neutros em inglês.

Aldrich não foi formalmente acusado, mas as autoridades o mantêm detido sem direito à fiança, sob suspeita de assassinato. De acordo com o sistema judicial do Colorado, as acusações formais não devem ser apresentadas em menos de dez dias.

- Instabilidade -

Uma imagem da complicada vida pessoal de Aldrich começou a surgir nesta quarta-feira. Ele teria vivido uma infância marcada pela instabilidade e várias mudanças, e que seus pais sofriam com problemas de abuso de drogas.

A mídia americana informou que Aldrich veio ao mundo como Nicholas Brink e mudou seu nome para Anderson Lee Aldrich na adolescência, no Texas. Seus pais se separaram quando ele tinha dois anos.

O New York Times citou arquivos judiciais segundo os quais o pai de Aldrich, Aaron Franklin Brink, havia sido preso várias vezes na Califórnia por infrações de trânsito e problemas com drogas.

Brink, que se descreve como um republicano conservador que trabalhou como ator pornô, afirmou ao jornal que anos atrás sua ex-mulher, Laura Voepel, disse a ele que seu filho estava morto.

Até que alguns meses atrás ele recebeu uma ligação de Aldrich que levou a uma briga, na qual foi ameaçado por Aldrich.

Brink, que diz ser treinador de artes marciais, contou à CBS que "elogiava" o comportamento violento de seu filho quando criança. "Dizia a ele que funcionava. É instantâneo e tem resultados imediatos", declarou o pai.

Trechos da entrevista publicada online mostram Brink, que já apareceu em um programa de TV sobre dependência química, confuso sobre onde seu filho supostamente teria cometido o crime.

"Eles me falaram sobre o ataque a tiros com várias pessoas", afirmou Brink, referindo-se a um telefonema que recebeu do advogado de Aldrich no domingo.

"Você sabe que os mórmons não são gays, né? Não somos gays. Não há gays na igreja mórmon", disse Brink ao saber que o tiroteio aconteceu em um estabelecimento LGBTQIA+. Ele lamentou as supostas ações de seu filho: "Não há desculpas para matar pessoas."

Segundo New York Times, a mãe do suspeito, Voepel, também teve problemas com as autoridades da Califórnia por embriaguez pública e posse de drogas.

Em 2012, foi condenada a cinco anos de liberdade condicional no Texas por incendiar uma cama em uma instituição psiquiátrica na qual estava internada, de acordo com os registros judiciais citados pelo jornal.

Além disso, Aldrich é neto de um parlamentar da Califórnia, Randy Voepel, informou a imprensa local.

A audiência desta quarta-feira aconteceu menos de quatro dias depois do ataque armado no Club Q. Aldrich deverá comparecer ao tribunal em 6 de dezembro.

Em homenagem às vítimas, um memorial foi organizado nas portas do Club Q e uma vigília à luz de velas foi realizada na segunda-feira em um parque no centro da cidade. A comunidade também celebrou o veterano Richard Fierro, que controlou o atirador.

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