Suspeito preso herdou comando de grupo suspeito de matar Marielle do ex-capitão Adriano, seu amigo de infância

Vera Araújo e Chico Otávio
Leonardo Gouvea da Silva , o Mad, é conduzido por um agente logo após ser preso

Meses antes de ser morto, em 9 de fevereiro deste ano, em Esplanada, no interior da Bahia, o ex-capitão do Batalhão de Operações Especiais (Bope) do Rio, Adriano Magalhães da Nóbrega, criador do grupo de matadores de aluguel  Escritório do Crime, resolveu se dedicar mais à exploração da milícia de Rio das Pedras e da Muzema, no Itanhangá, Zona Oeste do Rio. Para isso, ele passou a chefia do bando - suspeito das mortes da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes - para as mãos de Leonardo Gouvea da Silva, o Mad, seu amigo de infância e, portanto, de total confiança do ex-PM.

Mad foi preso na manhã desta terça-feira, numa operação da Polícia Civil e do Ministério Público do Rio. Ele estava dormindo quando foi surpreendido pelos agentes. O suspeito mora numa casa de dois andares num condomínio de classe média na Vila Valqueire, na Zona Norte do Rio.

Ao receber a chefia do Escritório do Crime de Adriano, Mad ficou encarregado de arregimentar mais ex-policiais para o grupo e a negociar “encomendas” com chefes da contravenção - ramo em que o ex-capitão vinha atuando ativamente. Depois de passar o posto, o ex-oficial do Bope virou conselheiro da facção de pistoleiros de aluguel. Suas decisões, porém, continuaram sendo seguidas à risca.

Além de Mad, outros suspeitos tiveram mandados de prisão expedidos pela Justiça: o irmão do chefe da quadrilha, Leandro Gouvea da Silva, o Tonhão; e os ex-PMs João Luiz da Silva, o Gago, Anderson de Souza Oliveira, o Mugão, e Gurgel. Também há um PM da reserva conhecido como Janjão, com atuação na milícia do Morro do Fubá, em Campinho, na Zona Norte do Rio.

Tonhão também é remanescente do núcleo de Adriano e é considerado braço direito do chefe. Mad, Tonhão e Adriano jogavam bola em Quintino, também na Zona Norte, quando eram crianças. O campo de futebol era administrado pelo pai dos dois irmãos, um ex-policial civil.