Suzane Von Richthofen pediu para seguir presa, em 2014, por temer pela vida fora da cadeia; MP vai recorrer da soltura

Suzane von Richthofen, que foi solta nesta quarta-feira após 20 anos de prisão, chegou a pedir para continuar presa, em 2014, alegando que temia pela sua vida fora da cadeia. Aos 39 anos, ela foi condenada por matar os pais e cumpria pena em um presídio em Tremembé, no interior de São Paulo.

De acordo com a Secretaria de Administração Penitenciária (SAP), Suzane deixou a Penitenciária Feminina I Santa Maria Eufrásia Pelletier por volta 17h35 desta quarta-feira.

Por meio de nota, o Tribunal de Justiça informou que o caso corre sob segredo, mas confirmou que em decisão da 2ª Vara de Execuções Criminais de Taubaté, foi concedida a progressão ao regime aberto, após ser verificado o cumprimento dos requisitos estabelecidos pela Lei de Execução Penal.

Em 2014, ela já havia recebido o benefício de progressão de pena. Na ocasião, no entanto, escreveu uma carta de próprio punho dizendo que o advogado fez o pedido contra a sua vontade e que preferia continuar presa por temer pela própria vida.

Naquele momento, a progressão da pena havia sido autorizada pela juíza Sueli Zeraik Oliveira Armani. Ela afirmou que a ré cumpria os dois requisitos fixados na Lei de Execução Penal: objetivo (temporal) e subjetivo (mérito do condenado). A mesma magistrada voltou atrás após a manifestação de von Richthofen.

No entanto, desde 2017, Suzane tenta a progressão ao regime aberto, para cumprir a pena fora do presídio, assim como o ex-namorado Daniel Cravinhos, mas até então teve todos os pedidos negados pelo judiciário.

O crime

Suzane von Richthofen cumpre pena pelo assassinato dos pais em 2002. Manfred e Marísia von Richthofen foram mortos a pauladas enquanto dormiam. O crime foi cometido pelos irmãos Cravinhos, à época namorado e cunhado de Suzane.

Ela foi chegou a ser presa em 2002, mas depois foi posta em liberdade e presa definitivamente em 2004 após o julgamento. Ela foi julgada e condenada a 39 anos de prisão pelo crime.

Desde 2006, cumpre pena na Penitenciária Feminina de Tremembé por segurança. Em 2015, ela conseguiu progressão ao regime semiaberto. Ela deixou a prisão em saída temporária pela primeira vez em março de 2016.

Suzane mantém relacionamento com o irmão de uma interna que conheceu na prisão. Em suas saídas temporárias, fica na casa da família, em Angatuba.

MP vai recorrer

Já o Ministério Público informou que vai recorrer da decisão que determinou a soltura de Suzane von Richthofen.

De acordo com o MP, a defesa de Suzane fez o pedido de progressão de pena e durante o processo o órgão solicitou que ela fizesse um teste criminológico.

O resultado do teste foi favorável e indicou que Richthofen estava apta a receber o benefício e conquistar o regime aberto.

Apesar do resultado positivo, o Ministério fez um novo pedido à Justiça, solicitando um teste mais detalhado, o teste de Rorschach, exame psicológico que consegue identificar traços da personalidade com o uso de manchas simétricas apresentadas em pares.

Ainda segundo o MP, na época não havia um profissional qualificado na região, que pudesse realizar o teste com Suzane.

O MP pediu um prazo maior para o exame, que seria feito dentro de um mês, entretanto, o órgão informou que a juíza que cuida do caso entendeu que não era necessário e o exame criminológico bastou para embasar a decisão que determinou a soltura da Suzane.