Técnico da Atalanta relata medo ao contrair Covid-19: "Não posso morrer agora"

O técnico Gian Piero Gasperini revelou, à Gazzetta dello Sport, que sofria de sintomas de coronavírus no mês de março, antes do duelo das oitavas de final da Champions League entre Valencia e Atalanta, e não contou com presença a presença de torcedores. A vitória italiana por 4 a 3 deu a classificação para as quartas.

"Estava assustado. No dia anterior ao jogo estava doente, na tarde do jogo ainda pior. Nas duas noites seguintes mal dormi. Não tinha febre, mas me senti mal, como se os meus ossos estivessem em pedaços, enquanto lá fora passava uma ambulância a cada dois minutos, parecia uma guerra. À noite, pensava: 'o que acontecerá comigo se eu for ao hospital? Não posso ir agora, ainda tenho muito o que fazer.", recordou.

O treinador de 62 anos confirmou, através de testes sorológicos, que contraiu o coronavírus.

"Há 10 dias, os testes sorológicos confirmaram que tive Covid-19. Tenho os anticorpos, mas não significa que esteja imune", concluiu.

Enquanto isso, ele espera que o trauma que Bergamo tenha causado devido ao vírus ajude a equipe.

"Vai levar tempo até que possamos ver as cenas alegres na praça ou no aeroporto novamente, mas o povo de Bergamo emergirão lentamente novamente. Esta equipe permaneceu ligada ao sofrimento de Bergamo, nenhum dos jogadores deixou a cidade durante o bloqueio e representará Bergamo em campo.", apontou.

“Existe essa tristeza profunda e digna na cidade. O ar está denso, você sente em todos os lugares, na rua, nos olhos das pessoas, nos bares e restaurantes fechados, no silêncio do meu funcionário que perdeu o pai. Levará anos para entender realmente o que aconteceu, porque esse foi o centro da tragédia. Toda vez que penso nisso, isso é tão absurdo: o pico da alegria esportiva coincide com as profundezas do desespero por Bergamo", completou.

A Série A deve ser retomada em 20 de junho, com o Atalanta de Gasperini em quarto na tabela de classificação.