Técnico de enfermagem do Hospital de Acari toca violino para gestantes em trabalho de parto

Audryn Karolyne
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O técnico de enfermagem Claudio Leite toca violino para acalmar as pacientes do setor de pré-parto do Hospital Municipal Ronaldo Gazolla, em Acari.

Há nove meses, faz parte da rotina do técnico de enfermagem Cláudio Leite tocar seu violino para gestantes em trabalho de parto no Hospital Municipal Ronaldo Gazolla, em Acari, Zona do Norte do Rio. Há alguns dias, acredita ter presenciado um milagre. Um pouco antes de subir para o centro obstetrício, ele sentiu uma vontade fora do comum de tocar uma música infantil. Enquanto tocava, foi chamado para ajudar em um parto complexo, em que a cabeça do bebê não passava pelo canal de parto. Cerca de meia hora depois de o bebê ter sido considerado morto por dois pediatras, o coraçãozinho voltou a bater.

— Tem algo que acontece acima da gente. Até ateu clamou a Deus naquela hora. Para mim foi um milagre — diz Cláudio, acostumado a lidar com casos complicados, já que a maternidade da unidade é referência em partos de alto risco.

Pai de uma família de músicos — a mulher, que é enfermeira, e a filha de 9 anos tocam órgão —, ele toca na igreja com uma banda em Belford Roxo, onde mora desde que se casou. Apesar de muito tímido, Cláudio já tinha vontade de unir suas duas paixões, a enfermagem e a música, e havia tocado com uma banda no Hospital Maternidade Carmela Dutra, no Méier, onde trabalha na emergência. Mas foi quando seus colegas do Ronaldo Gazolla o ouviram tocando na hora do almoço que passaram a incentivá-lo a atuar em trabalhos de parto humanizado. Desde então, o violino virou ferramenta de trabalho.

 

 

A música está presente na vida de Cláudio desde muito antes da enfermagem, que exerce há 16 anos. Com 34 anos recém-completados, ele começou a aprender a tocar aos 5 anos de idade numa igreja perto de casa, em Duque de Caxias. Depois, sua mãe o incentivou a fazer vários cursos, com medo das armadilhas do crime. Ele já se formou massoterapeuta, eletricista, mecânico, entre outras profissões. Mas foi na enfermagem que viu a possibilidade de unir suas paixões:

— Amo a música e a enfermagem. Fico muito feliz e já saio de um plantão pensando no próximo — diz.

Para as gestantes, é uma forma de relaxar.

— A gente veio seguindo a música. É muito gostosinha, deixa a gente bem relaxada — disse Letícia da Silva, de 22 anos, que aguardava para se submeter a uma cesariana.

A atendente de cafeteria Mônica Lima, de 35 anos, faz coro à Letícia: 

– A música é boa – afirma a moradora de Parada de Lucas, que diz que a canção ajuda na espera agoniante pelo parto induzido.

Cláudio costuma tocar de tudo, de músicas religiosas à Bethoveen. Ele pretende estender o projeto também para os recém-nascidos e, no futuro, estudar musicoterapia – “se Papai do Céu me der um tempinho”. 

– Eu fecho os olhos e vou tocando. Deixo a vida me levar – brinca Cláudio ao citar o cantor Zeca Pagodinho.