Técnicos apontam as dificuldades na marcação da bola aérea, um dos problemas do Flamengo

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É apenas a primeira rodada, mas poderia ser uma final. Dois dos principais favoritos ao título brasileiro, Flamengo e Palmeiras se enfrentam hoje, no Maracanã, medindo forças e dando um aperitivo do que podem mostrar ao longo do Brasileirão.

A expectativa é que Rogério Ceni e Abel Ferreira escalem o que tem de melhor à disposição. No Flamengo, Arão e Bruno Henrique voltam ao time após cumprirem suspensão diante do Vélez, no meio de semana.

O Flamengo inicia sua luta pelo tricampeonato preocupado com o que vem pelo alto. Não é segredo para ninguém que o desempenho da defesa nas bolas alçadas à área rubro-negra precisa melhorar. Dos 24 gols sofridos pelo clube na temporada, sete saíram em escanteios do adversário. A estatística joga luz sobre a importância do lance, que muitas vezes decide uma partida.

São diversos aspectos que fazem a diferença entre a bola ir parar no fundo da rede ou afastada para longe da área. Os principais giram em torno dos jogadores que estão defendendo. A altura interfere, podendo afetar a escolha do tipo de marcação que o time fará. Uma equipe com média de altura baixa tende a escolher a marcação individual, em que o contato intenso com os atacantes visa dificultar a movimentação e a impulsão dos adversários. Uma fartura de jogadores altos à disposição dá confiança para a marcação por zona.

Entretanto, altura apenas não é suficiente. É preciso proatividade para avançar na bola.

— Para mim, o maior erro que ocasiona o gol de bola parada é o não ataque à bola — afirma o técnico Dorival Júnior. — Tem jogadores que buscam a bola, mas eles não são maioria. Muitos não gostam de cabecear.

Quando o time opta pela marcação por zona, ele tem a chance de dobrar a pressão em cima dos melhores cabeceadores adversários. Enquanto zagueiros e volantes, normalmente mais altos e fortes, estão no miolo da área, para subir pelo corte e ter o choque com os homens do outro time, dois ou até três jogadores ficam soltos na área, com a missão de atrapalhar. Se existe um exímio cabeceador, esse da sobra faz a primeira marcação até ele entrar na zona de um dos zagueiros ou volantes e assim o jogador ter dois no encalço.

É preciso entrosamento entre os jogadores da área. Há técnicos que destacam um para ser uma espécie de líder da defesa. Ele é o principal responsável por orientar o posicionamento, apontar algo diferente que o ataque esteja fazendo e que demande uma mudança na formação dos defensores.

Lapso pode ser fatal

Mas, geralmente, os treinadores optam por priorizar um estilo de marcação. As orientações ocorrem nos treinos, nas preleções, e muitos técnicos deixam no vestiário um guia para cada jogador saber sua função na bola parada defensiva.

Quanto mais variações na forma de marcação, maior a chance de um jogador esquecer sua função, confundir movimentos, e um lapso pode ser fatal. A orientação é para os jogadores atacarem a bola sempre caminhando para frente. Ainda que percebam que podem cortar o cruzamento caso deem um ou dois passos para trás, é o companheiro de time que deve andar para frente. Quanto melhor for o desenvolvimento cognitivo do atleta, mais fácil para ele compreender as nuances.

— No Brasil, ainda temos essa deficiência na educação que vem de base, da escola. O jogador diferenciado acaba desenvolvendo essa capacidade intuitivamente — ressalta o técnico Celso Roth.