Tóquio 2020: as estrelas, disputas e metas do Brasil na Paralimpíada

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Estádio Olímpico
Abertura será às 8h no horário de Brasília

A Paralimpíada de Tóquio começou na terça-feira (24/8). A cerimônia de abertura aconteceu às 8h (horário de Brasília), no Estádio Nacional.

A expectativa é grande depois do sucesso dos atletas brasileiros na Olimpíada, com direito a novo recorde de medalhas.

Mas a situação é um pouco diferente na Paralimpíada, em que o país já é considerado uma potência esportiva.

Desde Pequim 2008, o Brasil se mantém no top 10 no quadro de medalhas final e, na Rio 2016, bateu seu recorde, com 72 medalhas.

Além de se manter entre os 10 primeiros lugares no quadro geral, a meta no Japão é também conquistar o 100º ouro da história da participação da equipe brasileira.

"Também esperamos superar as medalhas que conseguimos no Rio de Janeiro", diz Alberto Martins, diretor técnico do Comitê Paralímpico Brasileiro e chefe de missão nos Jogos de Tóquio.

Assim como na Olimpíada de Tóquio, a delegação brasileira será a maior já enviada pelo país ao exterior.

O Brasil compete em 21 das 23 modalidades dos Jogos, inclusive nas duas que farão sua estreia em Tóquio, badminton e taewkwondo.

Confira a programação da Paralimpíada e o que esperar da participação brasileira.

Quando serão as competições?

Atleta do tênis de mesa
Disputas vão até 5 de setembro

A cerimônia de abertura marca o início oficial dos Jogos, mas a competição só começa no dia seguinte, com as disputas em oito modalidades.

Serão 13 dias de evento, até 5 de setembro, quando será a cerimônia de encerramento.

Cada modalidade começará a ser disputada nas seguintes datas:

25 de agosto

  • Ciclismo de pista

  • Basquete em cadeira de rodas

  • Esgrima em cadeira de rodas

  • Hipismo

  • Goalball

  • Natação

  • Rugby em cadeira de rodas

  • Tênis de mesa

26 de agosto

  • Levantamento de peso

27 de agosto

  • Atletismo

  • Judô

  • Remo

  • Tênis em cadeira de rodas

  • Tiro com arco

  • Vôlei sentado

Atletas do tênis
Tóquio 2021 terá 22 modalidades

28 de agosto

  • Bocha

  • Triatlo

29 de agosto

  • Futebol de 5

  • Tiro esportivo

31 de agosto

  • Ciclismo de estrada

1º de setembro

  • Badminton

2 de setembro

  • Canoagem

  • Taekwondo

Em quais esportes o Brasil vai participar?

A delegação brasileira terá representantes em 21 das 23 modalidades dos Jogos, inclusive no badminton e no taewkwondo, que serão disputados pela primeira vez em Paralimpíadas.

"Temos chance de disputar medalhas nas duas", diz Martins.

As exceções são o basquete em cadeira de rodas e o rúgbi em cadeira de rodas.

As seleções brasileiras foram mal nos torneios classificatórios e não conseguiram uma vaga para Tóquio.

Como será a delegação brasileira?

Atletas do levantamento de peso
Comitê bateu a meta de ter ao menos 38% de mulheres entre atletas portadores de deficiência

A delegação brasileira será a maior já enviada para uma Paralimpíada no exterior.

Serão 260 atletas, bem acima dos 178 que foram à Londres 2012 e não muito longe da participação em casa, na Rio 2016, quando o Brasil teve vagas garantidas em todas as modalidades por ser o país-sede e contou com 286 atletas nos Jogos.

Do total, 164 são homens e 96 são mulheres — isso representa uma participação feminina de 40% do total, ligeiramente acima da meta de 38%, de acordo com o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB).

A delegação terá 234 atletas com deficiência. O restante são de atletas sem deficiência que atuam em algumas modalidades, como guias (corrida), calheiros (bocha), chamadores e goleiros (futebol) e timoneiros (remo).

Destes 234 atletas, 87 deles, ou 37%, disputarão sua primeira Paralimpíada.

"Também temos uma participação maior de jovens, e essa renovação é extremamente importante importante porque já estamos pensando em Paris 2024 em Los Angeles 2028", diz Martins.

Quem pode brilhar em Tóquio

Alana Maldonado | Judô

A judoca de 26 anos chega à sua segunda Paralimpíada como a campeã mundial da sua categoria. Na Rio 2016, ela foi prata.

Daniel Dias | Natação

É o maior campeão olímpico do Brasil, dono de 24 medalhas (14 delas de ouro).

Apesar desse histórico, seu desempenho ainda é incerto, porque ele passou por uma reclassificação que o colocou para nadar com atletas com deficiências menos restritivas.

Aos 33 anos, Daniel já anunciou que estes serão seus últimos Jogos.

Daniel Dias
Daniel Dias é o maior atleta olímpico do Brasil

Débora Menezes | Taekwondo

A atleta de 30 anos é a número dois no ranking mundial de sua categoria e a atual campeã mundial. No Parapan-americano de Lima, em 2019, ganhou a prata.

Esta será sua primeira Paralimpíada, que marca a estreia do taekwondo nos Jogos.

Evelyn Oliveira | Bocha

Foi escolhida como porta-bandeira do Brasil na cerimônia de abertura, ao lado de Petrúcio Ferreira.

Evelyn foi ouro na Rio 2016 na bocha em duplas mistas junto com Antonio Leme e Evani da Silva e, aos 44 anos, tenta o bicampeonato em sua segunda Paralimpíada.

Evelyn na Rio 2016
Evelyn será a porta bandeira do Brasil

Gabriel Bandeira | Natação

O atleta de 21 anos chega a Tóquio embalado pelo excelente desempenho no Aberto Europeu, em maio, quando ganhou seis ouros e bateu um recorde continental. Ele vai competir em seis provas

Lethicia Lacerda | Tênis de mesa

Aos 18 anos, Lethicia ganhou dois bronzes nos Jogos Parapan-americanos de Lima, em 2019, e vai para sua primeira participação em Paralimpíadas. Está em quinto lugar no ranking mundial de sua categoria.

Maria Carolina Gomes Santiago | Natação

A atleta de 36 anos voltou com quatro medalhas do último Mundial em Londres, no Reino Unido, em 2019. Foi prata nos 100 metros nado de costas e no revezamento e ouro nos 50 metros e 100 metros nado livre.

Maria Carolina Gomes Santiago em Londres 2019
Maria Carolina Gomes Santiago ganhou dois ouros no último Mundial

Maciel Santos | Bocha

O mais experiente atleta de bocha brasileiro joga desde os 11 anos. Aos 36, ele vai a Tóquio como o atual campeão olímpico, depois de vencer a prova individual de sua categoria na Rio 2016.

Petrúcio Ferreira | Atletismo

Porta-bandeira junto com Evelyn Oliveira, o velocista é dono do recorde mundial em sua categoria dos 100 metros rasos, que ele venceu na Rio 2016.

Naqueles jogos, Petrúcio também foi ouro nos 400 metros rasos e prata no revezamento.

Petrucio Ferreira
Petrúcio ganhou três medalhas na Rio 2016

Seleção brasileira | Futebol de 5

Desde que a modalidade estreou nas Paralimpíadas, em Atenas 2004, só o Brasil ganhou o ouro. A seleção brasileira também é pentacampeã mundial — o último título foi em 2018 — e lidera o ranking mundial.

Brasil, uma potência esportiva

Gráfico
Nos anos 2000, desempenho do Brasil colocou país entre as potências paralímpicas

O Brasil chega a Tóquio em sua melhor fase na história nas Paralimpíadas.

Desde o início dos anos 2000, o país vem melhorando seu desempenho a cada ano e, desde os Jogos de 2008, fica entre os dez primeiros países em medalhas.

Isso é resultado direto do número de ouros que foram conquistados em cada edição, porque esse é o principal critério para determinar a ordem do quadro geral.

Em Londres 2012, a delegação brasileira voltou com um recorde de 21 ouros e o 7º lugar. Quatro anos depois, o Brasil ganhou "só" 14 ouros na Rio 2016 e caiu para 8º.

Mas não dá pra reclamar porque o país ganhou um total 72 medalhas — graças a 29 pratas e 29 bronzes — e superou em muito seu recorde anterior (47, em Pequim).

O objetivo em Tóquio é se manter no topo de ranking, entre os dez melhores colocados.

Gráfico
Brasil quer sua 100ª medalha de ouro em Tóquio

O Brasil ganhou sua primeira medalha em Paralimpíadas em 1976, com uma prata na bocha na grama.

Desde então, já foram 301 medalhas: 87 de ouro, 112 de prata e 102 de bronze.

O Brasil é o 19º país em número de medalhas da história da Paralimpíada.

A delegação brasileira vai tentar voltar do Japão com o centésimo ouro nos Jogos.

Os atletas brasileiros conquistam ao menos 14 medalhas desde Atenas 2004.

O que explica o sucesso do Brasil nas Paralimpíadas?

Seleção de futebol de 5
Brasil foi campeão em todos os Jogos em que o futebol de 5 foi disputado

O desempenho brasileiro crescente desde o início dos anos 2000 é resultado de uma também crescente organização, incentivo e investimento nas modalidades paraesportivas.

O Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) foi criado em 1995. No ano seguinte, em Atlanta 1996, o país ficou em 37º, sua segunda pior posição nos Jogos Paralímpicos — só acima do 42º lugar em Arnhem 1980.

Os frutos só começaram a vir a partir de Sydney 2000, quando o país igualou sua melhor colocação anterior, um 24º lugar.

No ano seguinte, uma outra medida importante foi sancionada: com a lei Angelo/Piva, 2,7% da receita das loterias da Caixa Econômica Federal passaram a ser destinados aos comitês olímpico e paralímpico, a uma proporção de 63% e 37% para cada.

É daí que sai a maior parte do dinheiro usado pelo CPB na formação de atletas e outros em projetos e eventos que promovem o esporte paralímpico.

"Elaboramos em 2017 um planejamento estratégico para dois ciclos que têm como grande mote as crianças e adolescentes, para que eles comecem no esporte o mais cedo possível", diz Martins.

Os atletas contam ainda com uma bolsa do governo federal. Mais de 95% dos integrantes da delegação com deficiência recebem o benefício, que varia de R$ 370 a R$ 15 mil mensais.

Na Rio 2016, segundo o governo federal, todos os brasileiros que ganharam medalha faziam parte do Bolsa Atleta.

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