Tóquio-2020: Por Covid, Brasil cogita não ir à Cerimônia de Abertura da Olimpíada

Carol Knoploch
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Mesmo a apenas 100 dias para a Olimpíada de Tóquio, marca que será comemorada nesta quarta-feira, há ainda muitas dúvidas de como a competição será realizada em plena pandemia do novo coronavírus. Desde como serão finalizados os classificatórios até como serão os procedimentos com atletas positivados para a Covid-19 em plena competição. A Cerimônia de Abertura está marcada para o dia 23 de julho e há resistência por parte de várias delegações de comparecerem à festa no Estádio Nacional do Japão. O Brasil cogita não levar seus atletas ao evento de inauguração.

— Nós ainda estamos recebendo informações do Comitê Olímpico Internacional e do Comitê Organizador dos Jogos sobre o desfile no cenário atual. Faltam informações que permitam uma avaliação das condições de segurança para os atletas, mas é fato que nós não vamos expor os atletas e oficiais a uma situação que possamos identificar como sendo de risco — declarou Jorge Bichara, diretor de Esportes do COB.

Embora o COI tenha dito repetidas vezes que a vacinação contra a Covid-19 não será obrigatória para os atletas, afirmou que ofertaria imunizantes doados pela China para vacinação até junho. Uma vez positivados, os atletas deverão cumprir dez dias de quarentena (o evento dura apenas duas semanas) em um hotel com cerca de 300 quartos, que deverá ser reservado para esta finalidade.

Segundo a entidade, essa iniciativa "é mais um marco na garantia da segurança dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos. São a nossa demonstração de solidariedade para com o povo japonês, pelo qual temos muito respeito e por quem temos grande consideração"

Depois de protestos e matérias jornalísticas veiculadas no Japão sobre o que consideram a "vacinação obrigatória", Nobuhiko Okabe, consultor de saúde do comitê organizador, disse que as vacinas devem estar disponíveis para os atletas que as desejarem.

— Acho que a recomendação deve ser a imunização, principalmente para os atletas — disse Okabe à Reuters, que já ocupou cargos de liderança na Organização Mundial da Saúde.

Pare ele, as escolhas de atletas individuais de recusar a vacina por motivos de saúde ou religiosos "devem ser respeitadas".

Okabe é um especialista em doenças infecciosas e ajudou a orientar a resposta do Japão ao surto de H1N1 em 2009 e atualmente aconselha o governo em relação à Covid-19.

Delegação enxuta

O COB anunciar que diminuirá sua delegação que vai ao Jogos. Três programas foram cancelados (Embaixadores e Vivência Olímpica, para ex-atletas e jovens atletas, e Família Olímpica, dos presidentes das confederações).

Com isso, o contingente de enviados ao Japão deve diminuir em 100 pessoas.

O COB também anunciou a diminuição da presença de diretores da entidade.

A decisão comunicada aos presidentes de confederações, em reuniçao online, foi aceita com tranquilidade.

Um dos mais antigos e influentes dirigentes do esporte olímpico brasileiro, João Tomasini, da canoagem, morreu vítima do coronavírus.

Além do Time Brasil, que é formado pelos atletas, comissões técnicas e médicas, a entidade enviará somente o presidente Paulo Wanderley, o CEO do comitê, o ex-judoca Rogério Sampaio e o vice-presidente Marco La Porta, que será o chefe de missão.