"Tá na cara que vou ser cobrado", diz Bolsonaro sobre discurso na ONU

Foto: EVARISTO SA/AFP/Getty Images)

Resumo da notícia

  • Bolsonaro, que viaja na semana que vem, diz que será atacado pela imprensa e por outros países

  • Presidente afirma que fará um discurso "bastante objetivo" na Assembleia-Geral, em Nova York

Jair Bolsonaro comentou em sua live semanal nesta quinta-feira (19) sobre seu primeiro discurso na Assembleia-Geral da ONU, na próxima terça, na sede das Nações Unidas, em Nova York. Segundo o presidente, ele será atacado por outros países por causa das queimadas na Amazônia.

No começo da transmissão da live desta quinta, que durou 26 minutos, Bolsonaro reclamou de países que o "atacam de forma virulenta". "Tá na cara que vou ser cobrado", disse.

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Segundo ele, o governo "faz o possível" para combater o incêndio na Amazônia. "Mas elas têm todo ano, até por tradição. O caboclo toca fogo no seu roçado para plantar algo para sobrevivência, o índio faz a mesma coisa... tem quem faz de forma criminosa, mas como combater isso, sem meios, na Amazônia, que é maior que a Europa Ocidental?", disse.

Líderes da França, Alemanha e Noruega assumiram postura crítica a Bolsonaro após o início das queimadas, nas últimas semanas. Em agosto, os governos alemão e norueguês retiraram cerca de R$ 300 milhões em recursos para o Fundo Amazônia. Bolsonaro afirmou que os países o criticam porque queriam que o Brasil demarcasse reservas indígenas, quilombolas e ampliasse os parques ambientais para, no futuro, explorarem a região.

"O que alguns países querem, com essa historinha de dinheiro para o Fundo Amazônia... eles estavam comprando nossa Amazônia. Querem manter o índio como homens pré-históricos para que essa área seja explorada no futuro. O que interessa é a riqueza embaixo da terra", acusou Bolsonaro, repetindo um discurso que vem adotando desde o início da crise.

Sobre a fala na ONU, Bolsonaro afirmou que está preparando um discurso "bastante objetivo, diferente dos presidentes que me antecederam". "Ninguém vai brigar com ninguém. Vou apanhar da mídia de qualquer maneira, a mídia sempre tem do que reclamar", disse Bolsonaro, citando as queimadas na Amazônia.

"Eles têm números inverídicos, que interessam para desgastar a imagem do Brasil e criar um caos aqui. Se nossa agricultura cair, é bom para os países que vivem disso. Vão poder vender mais caro e nós ficaremos numa situação complicada", afirmou.

Bolsonaro ainda se recupera de uma cirurgia de correção de uma hérnia, que colocou em dúvida sua viagem aos Estados Unidos. O porta-voz da Presidência, Otávio Rêgo Barros, disse ontem que a ida estava "100% confirmada". Conforme a tradição na ONU, o Brasil fará o discurso de abertura da Assembleia, seguido pelos Estados Unidos, que terá o presidente Donald Trump na sequência de Bolsonaro.

Crítica à revista Época

Bolsonaro também criticou a revista Época publicada no último fim de semana, dizendo que ela tinha sete matérias negativas sobre ele. "A mais importante foram 10 páginas com a minha nora", disse, sobre a reportagem focada no atendimento da psicóloga Heloisa Bolsonaro.

"O cara da Época se passou por gay e fez cinco sessões para conseguir algum fundo para que alguém a processasse, se ela contrariasse uma orientação do Conselho Federal de Psicologia", criticou Bolsonaro, que chamou a cobertura de antiética. "Mas pedir ética de grande parte da mídia brasileira é pedir demais", acrescentou.

Na última segunda, o Conselho Editorial da Globo pediu desculpas a Heloisa Bolsonaro e considerou a reportagem um erro jornalístico. Segundo o Portal dos Jornalistas, três jornalistas da cúpula da revista pediram demissão após o pedido de desculpas do Grupo Globo.

***Por Marcos Tordesilhas