Tabata Amaral e bancada do PSOL na Câmara vão pedir cassação de Zambelli

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A bancada do PSOL na Câmara dos Deputados e a deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP) vão entrar com um pedido de cassação do mandato da parlamentar bolsonarista Carla Zambelli (PL-SP).

Na tarde deste sábado (29), véspera do segundo turno das eleições, Zambelli sacou e apontou uma arma para pessoas após uma confusão na região dos Jardins, na capital paulista.

Os pedidos de cassação serão protocolados na segunda-feira (31).

"A deputada Carla Zambelli é uma criminosa e precisa responder pelos seus atos. Uma pessoa não pode empunhar uma arma e colocar a vida de dezenas de pessoas em risco", afirma a deputada federal Sâmia Bomfim, líder da bancada do PSOL, à reportagem.

E segue: "Eles fazem isso para tentar tumultuar o processo eleitoral, gerar pânico e medo. É esse o modo de ação do bolsonarismo. Por isso, é necessário que o mandato dela seja cassado, para que esse tipo de postura não seja naturalizado".

"Não vamos admitir que os bolsonaristas ameacem a mão armada nossos eleitores, nossa eleição, nossa democracia. Responderemos nas urnas, no conselho de ética e na Justiça", escreveu Tabata Amaral nas redes sociais.

O episódio envolvendo a parlamentar bolsonarista gerou correria no cruzamento das alamedas Joaquim Eugênio de Lima e Lorena, na região dos Jardins. Nas suas redes sociais, ela disse ter sido agredida.

Em vídeo que circula nas redes sociais, um rapaz corre em direção a uma lanchonete enquanto Zambelli e alguns homens aparecem em perseguição. Um deles grita: "Deita no chão, vagabundo".

A deputada entra na lanchonete apontando a arma para o rapaz. O homem pergunta: "Você quer me matar para quê?".

O advogado João Guilherme Desenzi, presidente estadual da juventude socialista do PDT, presenciou a cena. Ele diz à reportagem que Zambelli também apontou uma arma para a cara dele.

Desenzi diz que ouviu dois disparos de arma de fogo vindos da rua. Logo depois, o homem perseguido entrou no estabelecimento para se proteger, seguido por Zambelli, que também gritou: "Deita no chão".

"Quando ela entra no bar armada, um monte de gente sai correndo. Eu fiquei encurralado entre duas mesas", diz o advogado. As outras pessoas dentro do bar também gritavam, pedindo que a parlamentar saísse dali.

"Na hora que ela aponta a arma para ele [homem perseguido], ela aponta para a minha cara também. Eu estava usando uma camiseta [com os números] 12+1", afirma o advogado. "E depois voltou a apontar a arma para o homem".

Segundo Desenzi, Zambelli estava acompanhada de dois homens. "Um deles chegou a dar tapas no rapaz perseguido", segue o advogado.

Nas suas redes sociais, Zambelli disse ter sido cercada por apoiadores de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que a teriam empurrado e feito com que caísse no chão. Segundo a deputada, eles também teriam cuspido e xingado ela.

Outro vídeo compartilhado nas redes sociais (veja abaixo), porém, mostra momento anterior à confusão no bar. O rapaz dá as costas para Zambelli, que faz menção de ir atrás dele, tropeça e cai. Ela então começa a persegui-lo enquanto outro homem saca uma arma, fazendo com que o rapaz grite por socorro.