Tabelar juros e elevar taxação de bancos são medidas deletérias para economia, diz diretor do BC

LARISSA GARCIA
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 08.02.2019 - Calculadora científica. (Foto: Gabriel Cabral/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O diretor de Política Econômica do Banco Central, Fabio Kanczuk, afirmou nesta sexta-feira (22) que a autoridade monetária vê como "bastante deletério para a economia e para a saúde do sistema financeiro" a limitação de regras pré-existentes, que pode vir da aprovação de projetos como o do tabelamento de juros e de aumento da taxação dos bancos, em tramitação no Congresso Nacional.

Em evento virtual organizado pelo banco suíço UBS, ele reforçou que o Congresso é soberano e que a autoridade monetária não toma esse tipo de decisão, mas ponderou que quebras de contrato ou mudanças de regras durante a crise podem ter "custos imensos para a sociedade brasileira" e seriam prejudiciais à economia.

"A posição do BC que tem sido bastante repetida pelo presidente e outros diretores, é 'não alterem contratos, mantenham os contratos da forma como eles estão'. Os custos do rompimento de contratos vão ser imensos para a sociedade brasileira, vão ter efeitos bastante negativos sobre crédito futuro", disse.

"Qualquer limitação de regras pré-existentes e quebra de contratos, o BC como instituição vê como bastante deletério para a economia e para a saúde do sistema financeiro", concluiu.

Na última segunda-feira (18), o Senado Federal retirou da pauta de votações o projeto que aumenta a taxação sobre o lucro dos bancos de 20% para 50%, cedendo à pressão de representantes de instituições financeiras.

Também não há mais prazo para votar a proposta que limita a 20% ao ano os juros do cheque especial do cartão de crédito. Para os bancos, as iniciativas são consideradas "pautas-bomba".