Tailândia enfrenta dura ofensiva por monarquistas radicais

Sophie DEVILLER y Pitcha DANGPRASITH
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Manifestantes pró-democracia levantam três dedos em protesto contra o governo, em Bangcoc
Manifestantes pró-democracia levantam três dedos em protesto contra o governo, em Bangcoc

Diante de protestos estudantis cada vez mais audaciosos e ousados contra a monarquia na Tailândia, os monarquistas radicais endureceram seu discurso, com insultos, ameaças de morte e fotos de caixões.

As imagens violentas circulam há alguns dias na internet, como a de um apoiador da monarquia que, com um fuzil automático em mãos, jura que protegerá o rei.

A retórica também é agressiva: "quem insulta a monarquia merece morrer", enquanto um grupo que se autodenomina "organização de coleta de lixo" clama por uma caça às bruxas.

É preciso "lançar uma operação para se desfazer deste lixo social", escreveu no Facebook seu fundador, o general Rienthong Nanna, "disposto a ir para a prisão para defender o soberano".

- Conflito geracional -

Na Tailândia, monarquia e nacionalismo estão intimamente ligados.

Atacar a realeza, protegida por uma das mais severas leis de lesa majestade do mundo, é uma aberração para uma parte da sociedade que cresceu com o venerado Bhumibol Adulyadej, pai do atual monarca, que reinou no país por 70 anos.

Por outro lado, parte da juventude se atreve a desafiar a poderosa e riquíssima instituição, pedindo a abolição da lei de lesa majestade, um controle sobre a fortuna real e a não-interferência do rei nos assuntos políticos.

Esses gestos de desafios inéditos foram observados em algumas das manifestações pró-democracia, que reuniram até 30.000 pessoas em Bangcoc.

Cartazes com os dizeres "República da Tailândia" foram erguidos por militantes que não se ajoelharam na passagem de uma comitiva real, conforme exigido pela tradição secular.

- Pior que a covid-19 -

O ex-chefe do Exército, general Apirat Kongsompong, comparou esses protestos com uma "doença mais difícil de curar do que a covid-19", enquanto insultos e ameaças de morte proliferam por parte dos ultramonarquistas.

Essa situação reacende os temores de atos de violência em um reino acostumado com os distúrbios políticos.

Os líderes dos protestos, muitos deles presos, afirmam que querem "modernizar" a monarquia.

Os ultramonarquistas se mostram cautelosos sobre a personalidade controversa do atual rei, Maha Vajiralongkorn, cujos supostos escândalos e polêmicas viagens para a Europa levantam muitas dúvidas.

O monarca não comentou sobre os acontecimentos em curso na Tailândia, mas - um fato muito incomum - apareceu várias vezes em público nos últimos dias, quebrando inclusive o protocolo para parabenizar na sexta-feira um de seus apoiadores, que ergueu um retrato de seu pai diante dos manifestantes.

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