Tainá Müller e Elisa Volpatto seguraram risada para gravar porradaria: "Muito fake"

Tainá Müller e Elisa Volpatto em
Tainá Müller e Elisa Volpatto em "Bom Dia, Verônica" Foto: Divulgação/Netflix

Resumo da notícia:

  • Porradaria de Verônica e Anita em "Bom dia, Verônica" foi feita à base de risadas

  • Em entrevista ao Yahoo, Elisa Volpatto revelou detalhes sobre os bastidores da série

  • Tainá Müller e Elisa seguraram risada para gravar cena violenta

Se você assistiu aos novos episódios de "Bom Dia, Verônica", com certeza ficou aflito ao ver Verônica, vivida por Tainá Müller, e Anita, personagem de Elisa Volpatto, saírem na porrada. No entanto, os bastidores da cena mais violenta da segunda temporada foi marcado por um clima extremamente cômico. Em entrevista ao Yahoo, a atriz que vive a delegada esmurrada pela protagonista conta como foi difícil gravar essa briga.

Ao relembrar das filmagens, Elisa revela que a colega de elenco não deu espaço para o estresse no set, mesmo estando muito cansada por conta de seu papel. "Taíná fica falando um monte de bobagem. É uma atriz que está quase 100% do tempo em cenas. Contracena com todos os personagens praticamente. Ela estava exausta, gravando muito e, ao mesmo tempo, estava num bom-humor fazendo piada", afirma.

Na fatídica cena da briga, Volpatto diz que as duas riram muito enquanto faziam o trabalho em questão, porque achavam a situação tosca. "Raphael Montes [roteirista] falava muito que o público queria ver a Verônica dando porrada na Anita e isso que a gente ia entregar. A gente falava: 'Duas mulheres brigando... Ai que saco'. Mas tudo numa grande brincadeira", conta.

O detalhe é que a gravação é, de fato, difícil por conta das técnicas para que o confronto pareça sério. "Tem que ser muito fake para parecer real. A gente sentia meio 'mocoronga' fazendo. Tem que fazer tudo muito decupado. Não consegue fazer a cena toda.

A cada soco que ela dava em mim, tinha que entrar a maquiagem para botar um pouquinho mais de sangue, de roxo. Era uma cena toda entrecortada. A gente se achava meio palhaça fazendo aquilo"Elisa Volpatto

Segundo Elisa, Tainá comparou a filmagem com um jogo de videogame, em que o personagem vai morrendo um pouquinho a cada vez que faz. "Ela tem um problema na cervical e era muito difícil para ela fazer os movimentos. Toda vez que a gente fazia, ela falava: 'Agora morri mais um pouquinho. Vamos fazer devagar'. A gente riu muito apesar de ser uma cena super violenta", conclui. Confira o momento em que a maquiagem foi feita:

Preparação para viver Anita

Questionada sobre como fez para entrar na personalidade de sua personagem, marcada por um comportamento envolvido pelo machismo do sistema policial, Elisa pontua o impacto desse ambiente. "Tentei sempre enxergá-la como uma figura humana. Todos nós temos um pouquinho de bem e mal dentro da gente. Todo nós em potencial somos capazes de coisas horríveis. A situação e o ambiente em que a gente é formado nos forjam e a Anita é fruto do meio no qual ela foi forjada", explica.

Na segunda temporada, a história da delegada é apresentada de forma mais profunda e o espectador passa a entender melhor o que pode ter influenciado na personalidade controversa dela. "Por ser uma mulher num ambiente da polícia, que já é um ambiente super masculinizado, ela precisou encontrar meios de impor o respeito. A maneira dela conseguir respeito nesse lugar foi, muitas vezes, agindo como os homens agem. É o modus operandi", completa a atriz, que fez uma intensa pesquisa sobre a forma que delegadas agem e se apresentam.

Feedback de policiais

Elisa também admite que há um pesar pelo mau-caratismo de Anita e a invalidação que a personagem faz de vítimas femininas na trama. Mas pondera que a série reproduz a realidade. "Recebi alguns retornos de delegadas e policiais, que falaram como o ambiente da polícia é permeado pelo machismo de muitas maneiras e como realmente elas têm que se impor nesse lugar agressivo, mais patriarcal para impor respeito. Acho que teve esse tipo de identificação", explica.

Além do comportamento, a caracterização de Anita também foi aprovada pelas profissionais da vida real. "Falam que elas se maquiam mesmo. Estão com a arma e tudo mais, mas colocam uma saia, um salto alto. Elas estão preparadas para ir a campo, em ação, mas também para dar uma entrevista na sequência. Muitas vezes é isso, ela está lá investigando na cena do crime, teve que fazer perseguição e, quando chega a imprensa, elas têm que estar lá bem", relata.

"Bom dia, Verônica"

Lançada em 2020 pela Netflix, "Bom Dia, Verônica" foi renovada no mesmo ano ao trazer temas relevantes e necessários para as telas, como o combate à violência contra a mulher e a corrupção, com reflexos fortes da realidade em cada episódio.

Na trama, Verônica Torres, vivida por Tainá Muller, é uma escrivã da Delegacia de Homicídios de São Paulo que não aceita injustiças, principalmente quando vêm carregadas de machismo e opressão, e se dedica ao máximo para a resolução dos casos que surgem na sua frente.

"Sempre que a gente pode engrossar o caldo de uma discussão política, social, a partir de uma série de ficção é válido. A gente chega às vezes num público que a denúncia pela denúncia não chega, ou as notícias de jornal não atravessam todo mundo. Quando você pega o entretenimento, é quase uma estratégia para poder falar de uma temática importante", pontua Elisa Volpatto.

O novo enredo da produção é marcado pela investigação da história de Ângela, vivida por Klara Castanho, uma jovem que é vítima de abuso ocasionado pelo próprio pai, interpretado por Reynaldo Gianecchini. Confira o trailer: