Taiwan alerta para China não se aproximar e Pequim defende exercício militar

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Bandeiras da China e Taiwan em ilustração

TAIPÉ/PEQUIM (Reuters) - O Ministério da Defesa de Taiwan alertou a China nesta quarta-feira que adotará medidas fortes em reação à aproximação de forças chinesas da ilha, ao passo que Pequim defendeu que suas incursões na zona de defesa aérea taiwanesa visam forças que defendem a independência formal da ilha e são ações "justas" para proteger a paz.

Pequim também disse que os exercícios miram a interferência de forças externas.

As tensões militares com a China, que reivindica Taiwan como parte de seu território, estão em seu pior momento em mais de 40 anos, disse o ministro da Defesa taiwanês na semana passada, acrescentado que a China será capaz de realizar uma invasão de "escala total" na ilha até 2025.

Ele falava depois de quatro dias seguidos de incursões da Força Aérea chinesa na zona de identificação de defesa aérea de Taiwan que começaram no dia 1º de outubro, parte de um padrão do que Taipé vê como um assédio militar crescente de Pequim.

Nenhum disparo foi efetuado e as aeronaves chinesas ficaram bem distantes do espaço aéreo taiwanês, concentrando suas atividades na porção sudoeste da área de defesa aérea da ilha.

Em um relato ao Parlamento, o Ministério da Defesa de Taiwan disse que as forças da ilha adotarão o princípio de "quanto mais próximos eles chegarem, mais fortes serão as contramedidas".

O ministério voltou a manifestar preocupação com o crescente incremento militar chinês, com novos porta-aviões, submarinos a propulsão nuclear e navios de assalto anfíbios iniciando suas operações.

As capacidades chinesas para negar acesso e bloquear o Estreito de Taiwan "estão se tornando mais e mais completas, o que representará desafios e ameaças graves às nossas operações de defesa", acrescentou o ministério.

A China culpa Taiwan e os Estados Unidos, principal apoiador internacional da ilha, pelas tensões, uma afirmação que Ma Xiaoguang, porta-voz do Escritório de Assuntos de Taiwan chinês, voltou a fazer em Pequim, ao responsabilizar o Partido Democrático Progressista (DPP), que governa a ilha.

Ele disse que as manobras militares chinesas visam o "conluio" entre o DPP e forças estrangeiras --uma referência velada ao apoio dos Estados Unidos a Taiwan-- e atividades separatistas, protegendo a soberania e a integridade territorial do país e também a paz e a estabilidade no Estreito de Taiwan, acrescentou ele.

"São ações absolutamente justas", disse Ma.

"O exagero das autoridades do DPP a respeito da chamada 'ameaça militar' do território continental é para inverter completamente o certo e o errado, e uma acusação falsa."

"Se autoridades do DPP persistirem obstinadamente em tratar as coisas da maneira errada, e não souberem como recuar da beira do precipício, isto só levará Taiwan a uma situação mais perigosa."

Taiwan diz que é um país independente chamado República da China, seu nome formal, e que defenderá sua liberdade e democracia.

Apesar dos comentários de Ma, tanto o presidente chinês, Xi Jinping, quanto a presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen, fizeram comentários relativamente conciliadores no final de semana, apesar de Xi ter prometido submeter a ilha ao controle de seu país e Tsai ter dito que a ilha não será forçada a se curvar à China.

Xi não falou em usar a força para dominar Taiwan, enquanto Tsai reiterou um desejo de paz e diálogo com a China.

Falando em uma reunião partidária de rotina nesta quarta-feira, Tsai reafirmou que o governo jamais "relaxou" diante das ameaças militares chinesas, mas tampouco "avançou precipitadamente".

(Por Ben Blanchard e Redação de Pequim)

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