Talibã pede ajuda internacional após terremoto que matou mais de mil pessoas

Em um movimento raro, o líder supremo do Talibã, Haibatullah Akhundzadah, que pouco aparece em público, solicitou à comunidade internacional e às organizações humanitárias “que ajudem o povo afegão afetado” e “não poupe esforços” para ajudar na recuperação do país após o terremoto de magnitude 5,9, na manhã da quarta-feira, deixar cerca de mil mortos e outros 1.500 feridos. O evento foi classificado pelas autoridades locais como “grande tragédia”.

Autoridades afegãs estão realizando buscas nesta quinta-feira para chegar à área remota atingida pelo terremoto, mas as comunicações precárias e a falta de estradas adequadas dificultam os esforços.

O terremoto ocorreu a cerca de 160 quilômetros a sudeste de Cabul, em montanhas áridas e repletas de pequenos assentamentos, perto da fronteira com o Paquistão, atingindo áreas que já sofriam os efeitos de fortes chuvas recentes. Por causa do abalo, uma série de desmoronamentos e deslizamentos de terra ocorreu, dificultando os esforços de resgate.

“Não podemos alcançar a área, as redes [de comunicação] são muito fracas, estamos tentando obter atualizações”, disse à Reuters Mohammad Ismail Muawiyah, porta-voz do principal comandante militar talibã na província de Paktika, a mais atingida.

Além dos cerca de mil mortos e 1.500 feridos, mais de 3 mil casas foram destruídas. Cerca de 600 pessoas foram resgatadas de várias áreas afetadas, acrescentou Muawiyah.

O secretário-geral das Nações Unidas, Antonio Guterres, disse que a entidade está “totalmente mobilizada” para ajudar, com o envio de equipes de saúde e suprimentos de medicamentos, alimentos, kits de trauma e abrigos de emergência para a zona do terremoto.

A operação de resgate será um grande teste para as autoridades do grupo fundamentalista Talibã, que assumiram o controle do país em agosto passado após duas décadas de ocupação americana e tiveram grande parte da assistência internacional que o Afeganistão recebia cortada. Os EUA também bloquearam as reservas em dólar do Banco Central afegão, equivalentes à metade do PIB do país. O Ministério da Defesa está liderando os esforços de resgate.

Mesmo antes da volta ao poder do Talibã, que já haviam governado entre 1996 e 2001, as equipes de resposta a emergências do Afeganistão estavam sobrecarregadas para lidar com os desastres naturais que atingem o país. Com aviões e helicópteros sem condições de voar, no entanto, qualquer resposta imediata à mais recente catástrofe é limitada.

A mídia afegã publicou fotos de casas reduzidas a escombros e corpos envoltos em cobertores no chão horas após o terremoto. A cidade de Gayan, perto do epicentro, sofreu danos significativos, com a maioria de seus edifícios de paredes de barro danificados ou completamente desmoronados.

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